ELEIÇÕES


TSE registra 406 candidatos autodeclarados LGBTQIA+ nas Eleições 2026

Pela primeira vez, Justiça Eleitoral coleta dados de orientação sexual; grupo representa 2% do total de inscritos no pleito

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabiliza 406 candidatos autodeclarados LGBTQIA+ para as eleições gerais de 2026. O grupo equivale a 2% do total de 20.575 concorrentes registrados para a disputa, que tem o primeiro turno agendado para 4 d outubro e o segundo turno para 25 de outubro.

Este pleito marca a primeira ocasião em que a Justiça Eleitoral inclui a pergunta sobre orientação sexual no formulário de registro de candidatura. Dos inscritos, 11.334 declararam a orientação sexual, enquanto 9.241 concorrentes (45%) preferiram não informar o dado.

Entre os declarantes, 10.928 candidatos (96,4%) se identificaram como heterossexuais. Em comparação com a população geral, um estudo de 2023 publicado pela USP e pela Unesco, com base em dados do IBGE, estima que 12% dos brasileiros se identificam como LGBTQIA+.

A declaração de registro no TSE não assegura a aptidão automática do candidato para a disputa. A Justiça Eleitoral analisa o cumprimento dos requisitos legais de cada nome, procedimento sujeito a contestações e recursos.

O calendário oficial fixa o julgamento das candidaturas até 14 de setembro, prazo de 20 dias antes do primeiro turno. Eventuais disputas judiciais podem ter continuidade após essa data, com dados extraídos do sistema do TSE na manhã de 18 de agosto e divulgados pelo G1.

O cruzamento de dados indica maior concentração de candidaturas LGBT+ em legendas de esquerda. Na soma de candidatos gays e lésbicas, o PT reúne o maior volume, com 40 nomes (21 gays e 19 lésbicas), seguido pelo PSOL, com 39 registros (32 gays e sete lésbicas).

Na sequência dessa categoria aparecem o PDT, com 23 candidatos, e o PSB, com 21. O PSOL lidera de forma isolada entre os candidatos gays, com 32 das 134 inscrições (23,88%), enquanto o PT possui a maior concentração de lésbicas, com 19 das 86 candidatas (22,09%).

Entre os bissexuais, o PSOL também ocupa a primeira posição, com 51 dos 150 candidatos registrados (34%). O PT aparece em segundo lugar com 27 inscritos (18%), seguido pela UP com 20 (13,33%) e pelo PDT com 13 (8,67%).

Partidos de direita ou centro-direita registram números menores dessas candidaturas. O MDB contabiliza 15 candidaturas entre bissexuais, gays e lésbicas, o Avante registra 11 e o PSD soma oito.

O Novo possui seis candidaturas distribuídas entre assexuais, bissexuais, gays e lésbicas, total idêntico ao do Republicanos. O PL registra cinco candidaturas, das quais quatro são de homens gays e uma de mulher lésbica.

Em relação aos pleitos anteriores, dados da organização Vote LGBT apontam a eleição de 233 candidatos LGBTQIA+ nas eleições municipais de 2024. O resultado significou um aumento de 100% perante as disputas de 2020 e 2022.