ELEIÇÕES


Flávio Bolsonaro não sabe diferenciar ‘desmatamento’ de ‘queimada’ e recebe correção ao vivo em entrevista

Candidato citou alta de incêndios ao responder pergunta de jornalista sobre queda histórica na devastação florestal

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

​A jornalista Renata Lo Prete corrigiu o candidato Flávio Bolsonaro (PL) durante entrevista na noite de sexta-feira (23). O episódio ocorreu após debate presidencial na TV Globo, evento que também teve a participação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A apresentadora interveio quando o político apresentou dados de incêndios em resposta a uma pergunta sobre desmatamento.

​A conversa inicial abordava a manutenção das políticas ambientais da atual gestão federal. Renata questionou: “O senhor pretende manter a política de combate ao desmatamento do atual governo?”.

​Em resposta, o candidato introduziu uma métrica diferente da solicitada. Flávio Bolsonaro afirmou: “O atual governo deixa a Amazônia pra lá, a quantidade de focos de incêndio neste mês de outubro, com expectativa de superar todos os recordes da história.”

​A apresentadora interrompeu o político logo após a declaração para explicar a diferença entre as estatísticas. Renata Lo Prete disse: “Só pra esclarecer, eu não estava falando de queimada, eu estava falando de desmatamento e saiu um dado desse mês de recorde de baixa de desmatamento.”

​Os números mencionados pela jornalista foram divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) na sexta-feira (16). Os dados apontam os menores níveis de devastação nas séries históricas da Amazônia e do Cerrado. A área desmatada na Amazônia caiu para 3.335 km² no período recente, uma redução de 41,8%.

​O resultado da Amazônia marca um recorde de preservação desde 1988. O menor índice anterior ocorreu em 2012, com 4.571 km² de floresta destruídos. Em quatro anos, o desmatamento no bioma recuou 71,2% em comparação aos 11.594 km² de 2022. Pará, Mato Grosso e Amazonas concentram a maior parte das perdas de vegetação.

​O bioma do Cerrado também registrou queda na devastação. A área desmatada passou de 7.235,27 km² para 5.516,69 km², uma redução de 23,8%. Este é o menor índice desde o início da série histórica, em 2001, e a região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) responde por 74,3% dos registros.

​A queda nos índices acompanha a reativação de programas de controle ambiental e territorial em 2023. O governo federal retomou o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e o plano equivalente para o Cerrado.

​O secretário extraordinário do Ministério do Meio Ambiente, André Lima, comentou o reforço estrutural. Ele afirmou: “Temos hoje planos para enfrentar desafios em todos os biomas brasileiros. Estamos fortalecendo as ações do Ibama, ampliando o quadro de pessoal e os recursos para melhorar a fiscalização, com mais tecnologia e inteligência”.

​Na prática, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) executou 76.095 ações de fiscalização entre 2023 e 2026. O órgão aplicou R$ 11,8 bilhões em multas por infrações contra a flora. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) somou R$ 2,4 bilhões em autuações no mesmo período.