ELEIÇÕES


Filho de Mãe Bernadete desiste de candidatura após relatar preocupação com própria segurança

A desistência foi comunicada por meio das redes sociais e formalizada em uma carta enviada à Justiça Eleitoral

Foto: Duda Rodrigues/MDHC

 

Três anos após o assassinato de Mãe Bernadete, a violência que atingiu a família da líder quilombola voltou a pesar sobre uma decisão política. Jurandy Pacífico, filho da ialorixá e único integrante vivo da família após o assassinato do irmão, Binho do Quilombo, desistiu da candidatura a deputado federal pela Bahia nas eleições deste ano.

A decisão foi tomada depois de Jurandy relatar preocupação com a própria segurança e ouvir familiares, amigos e integrantes do movimento quilombola. Segundo ele, a possibilidade de disputar a eleição poderia aumentar sua exposição e representar novos riscos.

“Por motivo de segurança, pela família está me orientando para não sair”, afirmou Jurandy em entrevista à Rádio Nacional. Ele explicou que havia entrado na disputa com a intenção de levar ao Congresso as demandas das comunidades quilombolas, mas decidiu recuar diante dos alertas recebidos.

A desistência também foi comunicada por meio das redes sociais e formalizada em uma carta enviada à Justiça Eleitoral. No documento, Jurandy classificou a decisão como difícil e dolorosa, mas afirmou que deixar a disputa eleitoral não significa abandonar a defesa dos povos quilombolas e tradicionais.

O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, lamentou a decisão e afirmou que a situação reforça a necessidade de garantir segurança para defensores de direitos humanos durante o processo eleitoral. Segundo ele, a Polícia Militar da Bahia mantém uma estratégia de proteção para familiares de Mãe Bernadete desde os assassinatos.

Mãe Bernadete foi assassinada em agosto de 2023, dentro do terreiro onde vivia, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Seis anos antes, seu filho Binho do Quilombo também havia sido morto. Os dois eram conhecidos pela atuação na defesa dos direitos das comunidades quilombolas.

Ao justificar a desistência ao Tribunal Superior Eleitoral, Jurandy afirmou que decidiu priorizar a própria preservação diante do contexto de violência enfrentado pela família. “Continuar com a candidatura poderia representar uma exposição ainda maior a riscos que não podem ser ignorados”, declarou.