ELEIÇÕES


Caiado reage a ataques da campanha de Flávio e aponta ‘desespero’ do adversário

Ex-governador de Goiás responde a acusações de alinhamento com o PT após declarações do seu candidato a vice, Gilberto Kassab

Foto: PSD

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) classificou como “momento de desespero” as acusações da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) em seu primeiro ato de campanha, em Goiás, no domingo (16). A reação da candidatura do PL ocorreu após o candidato a vice na chapa do PSD, Gilberto Kassab, declarar que o parlamentar tem “chance zero” de vitória nas eleições.

Em seu discurso em Goiás, o ex-governador comentou o cenário de conflito e rebateu as críticas da candidatura adversária. “Realmente eles estão desesperados. Não conseguem. Todo dia é um problema. Todo dia é uma explicação. É uma surpresinha todo dia”, afirmou Caiado.

A declaração fez referência às polêmicas associadas ao candidato do PL, como o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O político do PSD reforçou a sua trajetória pública na oposição ao atual governo.

“Esse pessoal [da campanha do Flávio Bolsonaro] está apavorado. Podem ficar tranquilos que o único político com mandato no Brasil, que é oposição ao Lula e que nunca votou no Lula, chama-se Ronaldo Caiado”, declarou o ex-governador.

O candidato sustentou que Kassab expressou “o que todo mundo já sabia”. Ao ser questionado sobre a escolha de lado em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, Caiado declarou que ele próprio disputará a etapa final da eleição com o integrante do PT.

O atrito entre as campanhas intensificou-se na quinta-feira (13), em um evento com empresários. Na ocasião, Kassab afirmou que o centrão está com o presidente Lula e sustentou que o filho de Jair Bolsonaro não vencerá a disputa.

A fala motivou uma reação do coordenador de campanha do candidato do PL, o senador Rogério Marinho (PL), em publicação nas redes sociais. Marinho definiu o PSD de Kassab como “linha auxiliar para tentar de qualquer forma eleger Lula”.

O coordenador acrescentou a sua avaliação sobre a postulação do ex-governador de Goiás. “Está cada vez mais claro que a candidatura apresentada [de Caiado] não é para valer e que o sistema se uniu por se sentir ameaçado”, publicou Marinho.

Flávio Bolsonaro também manifestou críticas públicas a “outros candidatos a presidente que se dizem de direita”. O senador afirmou na internet que tinha “muito claro que seriam TODOS contra o PT” e que sua “disputa é para resgatar o Brasil do cativeiro, e não pelo poder”.

Até o episódio de quinta-feira, Flávio evitava embates diretos com Caiado. O objetivo do senador era não acirrar os ânimos com candidatos com potencial de apoio em um segundo turno, embora o ex-governador fizesse críticas mais ácidas ao adversário desde julho.

Após a repercussão de suas declarações, Kassab publicou explicações nas redes sociais. O dirigente disse que o PSD acertou ao ter candidatura própria com Caiado, qualificado por ele como adversário histórico do PT, e argumentou que sua fala foi “bastante objetiva”.

“A neutralidade dos partidos do chamado centrão, que diziam que apoiariam Flávio Bolsonaro, mostrou que diversas lideranças desses partidos estão hoje com Lula. Essa neutralidade claramente favorece a candidatura do PT”, escreveu Kassab.

Diante dos desdobramentos, Caiado contestou as afirmações e negou aliança com a esquerda. “A minha candidatura é independente e não apoia ninguém. Desde o início da minha vida pública eu atuo contra a esquerda”, reforçou o candidato.

No início do ano, Caiado buscava se diferenciar de Flávio ao ressaltar a falta de experiência do senador no Poder Executivo. Naquele momento, contudo, o ex-governador evitava abordar temas polêmicos, como a acusação de “rachadinha”.