ECONOMIA


Copom aponta piora da inflação por efeitos da guerra no Irã e mantém cautela com juros

Ata indica impactos geopolíticos nos preços, enquanto Banco Central reforça necessidade de política monetária mais restritiva mesmo após corte da Selic

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

 

Segundo uma avaliação do Banco Central, a continuidade da guerra no Irã aumenta a chance de impactos duradouros na economia global. Segundo a instituição, o conflito já pode ter sido suficiente para materializar riscos para a inflação no Brasil, especialmente a piora nas expectativas de mercado.

O documento, apresentado na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta terça-feira (5), mostra uma piora em dados correntes de inflação, mostrando “sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos”, mas destacou que “eventos recentes não impedia o prosseguimento” do ciclo de calibração da Selic.

“Em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, diz parte do documento.

O Copom afirma que tem um compromisso de combater os efeitos de segunda ordem do choque de oferta do petróleo, que subiu após a guerra, “e serenidade para reunir mais informações ao longo do tempo”.

Na última semana, o Banco Central cortou a taxa básica em 0,25 ponto porcentual, a 14,50% ao ano, e argumentou que precisará incorporar novas informações para definir os juros à frente.