BRASIL


PF aponta superfaturamento de livros e propina em empresa que contratou ex-nora de Lula

Operação Coffee Break investiga esquema em prefeituras paulistas

Foto: Polícia Federal

 

A Polícia Federal identificou um esquema de superfaturamento e pagamento de propina envolvendo contratos de material escolar em prefeituras do interior de São Paulo. A empresa Life Tecnologia Educacional, alvo da Operação Coffee Break, teria vendido livros a valores até 35 vezes superiores ao preço de aquisição. Segundo a PF, o negócio movimentou R$ 111 milhões desde 2021.

O empresário André Gonçalves Mariano, dono da Life e apontado como líder do esquema, está entre os cinco presos, que incluem o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César (PSB), e o secretário municipal de Educação, Fernando Gomes de Moraes. Mandados também foram cumpridos em Sumaré, Morungaba e Limeira.

De acordo com a investigação, Mariano tinha acesso privilegiado a secretários de Educação e ajudava a estruturá-los processos licitatórios, garantindo que a empresa vencesse os certames em troca de propina. Em Sumaré, ele recebia até o Termo de Referência para aprovação antes da publicação oficial. A PF afirma que os pagamentos eram feitos em espécie — chamados de “café” — por meio de doleiros ou transferências para terceiros.

O esquema também envolvia lavagem de dinheiro. Após receber os valores públicos, a Life enviava recursos para empresas de fachada controladas por operadores financeiros, que convertiam as transferências em dinheiro vivo. O montante retornava ao empresário para pagamento de propina e enriquecimento pessoal.

A operação ainda cita o envolvimento de Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Lula, que, segundo a juíza responsável pelo caso, prometia acesso a órgãos federais e teria viajado a Brasília com custos pagos por Mariano. A PF aponta que ela atuava na defesa dos interesses privados do empresário junto ao FNDE e prefeituras. Também é mencionado Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por ajudar Mariano a ampliar sua atuação política e empresarial.

A Prefeitura de Hortolândia afirmou que foi surpreendida pela operação e que todos os processos seguem a Lei de Licitações. As defesas dos citados não responderam até a publicação, e o espaço permanece aberto.