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Justiça decreta prisão preventiva de MC Ryan SP, MC Poze e outros investigados a pedido da PF

Decisão ocorre após o STJ conceder habeas corpus aos alvos na noite de quarta-feira (22)

Foto: Reprodução/Redes sociais

 

A 5ª Vara da Justiça Federal em Santos (SP) atendeu, nesta quinta-feira (23), ao pedido da Polícia Federal e decretou a prisão preventiva do MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, de Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei, e de outros investigados em um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro. As informações são do g1.

A decisão foi tomada após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder habeas corpus aos alvos. Com o avanço das investigações, a PF argumentou que surgiram elementos suficientes para converter as prisões temporárias em preventivas.

Os investigados haviam sido detidos no último dia 15, durante operação da Polícia Federal. Segundo a apuração, o grupo é suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de apostas ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, uso de empresas de fachada, “laranjas”, criptomoedas e envio de recursos ao exterior.

No habeas corpus, o ministro Messod Azulay Neto, relator do caso no STJ, considerou irregular a prisão temporária por 30 dias, já que o próprio pedido da PF previa prazo de cinco dias, já encerrado.

Mesmo assim, a Polícia Federal sustentou a necessidade da prisão preventiva para garantir a ordem pública e evitar a continuidade das atividades investigadas, além de possíveis interferências no processo, como destruição de provas ou combinação de versões.

A defesa de MC Ryan SP criticou o novo pedido da PF. Em rede social, afirmou que “causa perplexidade o caráter manifestamente extemporâneo do pedido”.

“Se presentes estivessem, desde antes, os requisitos da preventiva, por que não foi ela requerida no momento oportuno? Espera a defesa que a medida seja indeferida e a decisão do Superior Tribunal de Justiça efetivamente cumprida”, escreveu.

Em nota, o advogado Felipe Cassimiro declarou que a decisão reconhece a “ilegalidade das prisões de MC Ryan, Diogo 305 e dos demais investigados no âmbito da Operação Narco Fluxo” e que “a consequência natural e jurídica desta decisão é a revogação da prisão, medida que decorre diretamente da própria decisão ao ser reconhecido o erro no prazo fixado para a prisão temporária”.

A defesa de Poze do Rodo também contestou a medida, afirmando que o novo pedido não apresenta fatos novos. Já os advogados de Raphael Sousa Oliveira informaram que vão recorrer ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, ao STJ e, se necessário, ao Supremo Tribunal Federal.

Segundo a defesa, a decisão não traz elementos concretos que justifiquem a prisão preventiva, além de apontar ausência de fundamentação individualizada em relação ao investigado. O advogado Pedro Paulo de Medeiros afirmou que a medida “mantém a mesma ausência de fundamentos concretos já questionada pela defesa e viola a exigência constitucional e legal de motivação das decisões que restringem a liberdade, sobretudo pela falta de individualização dos motivos atribuídos a Raphael Sousa Oliveira”.