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Irmão do chefe do MP da Bahia discutiu pagamento de R$ 8 milhões com Daniel Vorcaro

Mensagens obtidas pela PF mostram empresário tratando de repasse à Mídias Promotora, apontada como peça do esquema investigado no caso Rioprevidência

Foto: Arquivo pessoal

 

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que o empresário Marcelo Maia Souza Marques, irmão do procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia Souza Marques, tratou com o banqueiro Daniel Vorcaro de um pagamento de R$ 8 milhões à empresa Mídias Promotora.

Na troca de mensagens, ocorrida em maio de 2024, Vorcaro pergunta a Marcelo sobre o valor a ser pago à empresa. O empresário confirma o montante e afirma ter alinhado o assunto com um interlocutor identificado como Félix.

Segundo a PF, a Mídias Promotora era controlada pelo lobista Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado como representante do Banco Master no Rio de Janeiro. A investigação sustenta que a empresa era usada para distribuir pagamentos com aparência de legalidade a integrantes do esquema apurado no caso Rioprevidência.

Dados da Receita Federal obtidos pelos investigadores indicam que a Mídias Promotora recebeu R$ 126,6 milhões do Banco Master entre 2023 e 2025.

Nas mensagens encontradas no celular de Vorcaro, Marcelo aparece identificado como “Marcelo Terra Firme”, referência a uma empresa ligada ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. A PF aponta que Lima teve participação em operações envolvendo aportes do Rioprevidência em títulos financeiros da instituição.

Marcelo Maia também foi citado em reportagem do UOL por ter registrado, em 2018, domínios ligados à Credcesta, empresa que manteve relações societárias com grupos empresariais posteriormente vinculados ao Banco Master.

Além disso, o empresário é sócio de André Kruschewsky, ex-diretor do banco, na empresa AMF Consultoria e Assessoria Ltda. Kruschewsky e seu primo, o ex-procurador-geral de Justiça da Bahia Eugênio Kruschewsky, foram mencionados na CPMI do INSS por supostas ligações com operações envolvendo o Banco Master e a Credcesta.

Procurado para comentar o conteúdo das mensagens, Marcelo Maia não respondeu. O Ministério Público da Bahia e o procurador-geral Pedro Maia Souza Marques também não se manifestaram. Com informações do colunista Tácio Lorran, do portal Metrópoles.