SALVADOR


CenpHub Salvador reúne anunciantes, agências, veículos e plataformas em conversa sobre marcas locais

Encontro aconteceu no Hotel da Bahia by Wish

Foto: Assessoria CenpHub Salvador

 

A realidade dos mercados locais em um país diverso como o Brasil foi o ponto central das conversas ocorridas durante o CenpHub Salvador realizado na quinta-feira (5), no Hotel da Bahia by Wish. Ao longo da manhã, profissionais do ecossistema publicitário baiano discutiram as mudanças no consumo e na mídia e a importância de considerar as particularidades de cada território na construção da comunicação.

Na abertura, Melissa Vogel, presidente do Cenp, destacou o papel do encontro como espaço de aproximação com diferentes mercados. “Para o Cenp é uma alegria se reunir com o mercado local. Mais do que trazer e compartilhar conhecimento, nós buscamos aprender para exportar as maravilhas feitas localmente para nossas conversas. Sabemos o quanto as dimensões continentais do Brasil o tornam plural”, comentou. A profissional também reforçou a função da entidade como espaço de diálogo e troca entre os diferentes agentes da publicidade.

O primeiro painel trouxe os resultados do Brasil Plural, estudo do Cenp conduzido pela Troiano Branding e apresentado ao mercado em dezembro de 2025. A conversa mostrou como as peculiaridades locais são evidentes na prática. Marluce Barbosa, gestora executiva e comercial do Grupo A Tarde, chamou atenção para a diversidade existente dentro do próprio Nordeste. “O que é real no Nordeste não é no Sudeste. Dentro da Bahia, o que é real no Sul não é no Nordeste. Por isso, precisamos ter um olhar maior para os nossos veículos locais. Quando adentramos os interiores, temos outras realidades.”, afirmou. A executiva pontuou que a inovação que o Cenp vem trazendo fortalece o que nunca deveria ter sido esquecido, que é a força que a Bahia tem.

No painel seguinte, dedicado às novas jornadas de consumo e à fragmentação da mídia, o diálogo avançou para a forma como os consumidores circulam entre diferentes canais e pontos de contato. André Scaciota, CDMO da WMcCann, chamou atenção para a relação entre presença e lembrança de marca. “É preciso entregar uma boa estratégia. De nada adianta investir dinheiro sem a construção de uma relação com o consumidor.” Para Scaciota, a marca apenas compra, mas não reforça sua presença. “Se você fica fora, o consumidor não lembra da marca”, disse.

A relação entre conhecimento local e estratégia também esteve presente na troca sobre as parcerias entre anunciantes, agências e veículos. Michele Estevez, diretora geral da Propeg, reforçou a importância de uma boa troca, mas principalmente de confiança e construção. “A relação precisa amadurecer, e isso só acontece com time maduro, o que exige investimento, treinamento e capacitação. A agência precisa ser parceira de estratégia, criatividade e confiança”, disse.

Amine Darzé, gerente de Marca, Publicidade e Eventos da Neoenergia, levou o diálogo para a relação com os mercados do interior. “É importante ter a capilaridade de entender os territórios. Não podemos cair no hábito de escolher somente os grandes personagens. A mídia do interior é muito importante também, com um papel de confiança e credibilidade”, afirmou.

O último painel trouxe a cultura baiana para o centro do assunto. Ao abordar a utilização do repertório local na publicidade, Paulo Coelho, diretor-geral da Mago Comunicação e presidente do Sinapro-BA, resumiu a percepção sobre a forma como uma mensagem é recebida pelo público: “A gente não critica quando um material vem sem sotaque, mas a gente critica quando vem com um sotaque diferente do nosso.” Em seguida, defendeu que é preciso “enxergar a Bahia com a sua peculiaridade”.

Importância de dados na publicidade

As conversas ocorridas durante a manhã de quinta-feira (5) destacaram ainda a transformação do mercado publicitário a partir da mensuração padronizada. A regionalização foi apontada como fundamental para gerar conexões autênticas com os consumidores locais, exigindo que métricas, ações formativas e ferramentas de mercado acompanhem as especificidades de cada praça para garantir uma distribuição mais justa e eficiente das verbas publicitárias.

Jéssica Miúcha, CEO da Zygon, chamou a atenção para a relação entre dados e conhecimento sobre o território. “Olhar para os dados não pode ser algo frio. É preciso ter a percepção de como eles funcionam para oferecer uma contribuição estratégica”, afirmou. A executiva também discutiu o risco de a inteligência artificial reproduzir estereótipos presentes nos dados utilizados pelos algoritmos e apontou a valorização de fornecedores locais como uma forma de ampliar essa leitura.

Liana Rolemberg, head Comercial da JCDecaux, chamou atenção para a necessidade de interpretar as informações a partir do contexto. “Os dados estão na vida de todos – além de circulação e fluxo, temos dados de comportamento. Mas é preciso ter uma leitura cultural. Não adianta eu saber onde e quando eu devo entrar se eu não souber como falar. Os hábitos, a linguagem, tudo isso tem que ser considerado. É preciso entender da cultura para ser efetivo”, declarou.

O CenpHub Salvador tem Adobe, Globo, JCDecaux, Kallas Mídia e Uber Advertising como apoiadores master, além de Fenapro e Sinapro-BA como parceiros estratégicos, Pars como apoio institucional e Zygon como apoio local.