POLÍTICA


Restrição a casas de apostas vai gerar desequilíbrio no futebol, diz Cruzeiro no STF

​Representante do clube alerta para demissões em massa e defende modelo de fiscalização em vez de proibição no mercado brasileiro

Bruno Peres/Agência Brasil

 

​O representante do Cruzeiro, José Francisco Cimino, afirmou no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (3) que a medida provisória sobre casas de apostas causa prejuízos ao esporte nacional. Ele participou de uma audiência pública na Corte para debater as regras do setor. Segundo o dirigente, a proibição de patrocínios cria um cenário de desigualdade em relação aos clubes sul-americanos.

​Cimino citou a partida do dia 20 de outubro entre Boca Juniors e Vasco no Maracanã, quando o time argentino expôs a marca de uma empresa de apostas. “Isso significa, ministro, que a medida provisória ainda vai gerar um enorme desequilíbrio entre o futebol brasileiro e as equipes sul-americanas, especialmente entre os nossos rivais que vão poder contar com o patrocínio das empresas de apostas”, defendeu.

​O profissional coordenou a regulamentação das apostas de quota fixa no Brasil pelo Ministério da Fazenda em 2023. Ele argumentou que a criação de regras cumpriu a Lei nº 13.756/2018, de forma que os problemas atuais derivam de omissões passadas.

O representante destacou que países como Reino Unido e Alemanha optaram por fiscalizar o mercado, enquanto a proibição na China injeta cerca de US$ 60 bilhões por ano no crime organizado.

​A ausência de patrocínios retira dos clubes brasileiros receitas equivalentes a quatro ou cinco folhas de pagamento de atletas e funcionários, montante que também financia a equipe feminina do Cruzeiro, recém-campeã da Libertadores. Além das consequências esportivas, a medida provoca a perda imediata de quase 7 mil empregos, com risco de alcançar 15 mil demissões.