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Governo espera eleição nos EUA para definir rumos da relação bilateral

País passa por eleições de meio de mandato sob teste da capilaridade política e popularidade de Donald Trump

 

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanha as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e crê que o pleito pode ser um termômetro dos rumos das relações com o Brasil. Os dois países enfrentam uma crise diplomática desde a aplicação do tarifaço a produtos brasileiros, que ganhou novos contornos após a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para Miami. A informação é do portal Metrópoles.

A avaliação entre interlocutores do governo petista consultados pelo Metrópoles é que a relação entre Brasil e Estados Unidos pode ter desdobramentos a depender do resultado das eleições de meio de mandato no país. O pleito vai renovar integralmente a Câmara dos Representantes e um terço do Senado, além eleger governadores para 36 estados americanos.

As chamadas midterms estão marcadas para terça-feira (3) e são vistas como um teste da capilaridade política e popularidade de Donald Trump no país, que corre o risco de perder a maioria do Partido Republicano nas duas Casas. Para o governo Lula, os temas agora paralisados da relação bilateral só devem ter andamento após o pleito, que detém toda atenção da gestão Trump.

Eleições de meio de mandato

As eleições de 3 de novembro vão definir o controle da Câmara dos Representantes e de parte do Senado;
Todos os 435 assentos da Câmara estarão em disputa, além de 35 das 100 cadeiras do Senado;
Atualmente, os Republicanos controlam as duas Casas, e uma derrota pode dificultar a aprovação da agenda legislativa de Trump;
Se os Democratas conquistarem uma ou ambas as Casas, Trump enfrentará mais obstáculos para aprovar projetos;

A oposição também poderá ampliar investigações sobre o governo, convocar autoridades e fortalecer a fiscalização do Executivo.

Relações paradas

A relação entre Brasil e Estados Unidos atravessa um período de incertezas e o calendário eleitoral dos dois países se tornou um fator adicional de pressão sobre as negociações bilaterais. Primeiro, a disputa presidencial brasileira concentrou as atenções de Brasília e Washington, diante da possibilidade de uma mudança de governo no Brasil.

Agora, com a reeleição de Lula e as midterms, o governo brasileiro aguarda sinais mais claros sobre os rumos da política externa do presidente Donald Trump. O cenário, até lá, mantém paralisada parte das tratativas comerciais e diplomáticas, em um momento em que os dois países ainda tentam superar divergências acumuladas desde o início do atual mandato norte-americano.

Entre os temas pendentes está a negociação do tarifaço. As tratativas chegaram a ser retomadas em agosto, após ligação entre Lula e Trump, mas perderam fôlego à espera do pleito brasileiro. Para membros da gestão petista, a inércia na Casa Branca era justificada pela incerteza sobre quem estaria à frente do Planalto após o pleito e, consequentemente, com quem Washington deveria negociar.

O compasso de espera, contudo, não significa que a relação bilateral esteja completamente paralisada, mas que decisões politicamente sensíveis podem ser postergadas até que os dois governos tenham maior clareza sobre o ambiente doméstico.