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Eleições nos EUA e em Israel definem futuro da guerra contra o Irã e rumos da economia global

Pleitos ocorrem com dias de diferença e impactam diretamente o fluxo de energia elétrica e os preços internacionais

Foto: Blondinrikard Fröberg/Flickr

As eleições legislativas em Israel, ocorridas na terça-feira (27), e nos Estados Unidos, marcadas para a próxima terça-feira (3), determinarão os rumos da guerra contra o Irã e o impacto no custo global de energia.

Os resultados definirão a permanência de Binyamin Netanyahu no poder e a composição do Congresso estadounidense sob o mandato de Donald Trump. Esses pleitos ocorrem com poucos dias de diferença e possuem influência direta na geopolítica e na economia mundial.

A eleição para o Senado em Michigan, por exemplo, deve receber até cerca de 10 mil votos enviados de Israel, de acordo com a estimativa do presidente do grupo Republicans Overseas Israel, Marc Zell. “Eles realmente podem fazer a diferença”, disse o representante à BBC a respeito dos 500 mil israelenses com passaporte norte-americano aptos a votar em ambos os países.

O ex-presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Tip O’Neill, certa vez teria dito que “toda política é local”, mas as consequências destas votações atuais extrapolam fronteiras.

A conexão mais evidente envolve a guerra americana e israelense contra o Irã, iniciada com um ataque aéreo de grandes proporções em fevereiro deste ano. A ofensiva destruiu alvos militares, porém o regime iraniano reagiu e assumiu o controle do estreito de Hormuz e do fluxo de combustíveis local.

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu utilizou a campanha para enfatizar a possibilidade de um novo ataque contra o Irã e fez novas alegações sobre a ameaça nuclear no país islâmico. O objetivo da autoridade é reforçar a própria reputação a área de segurança, abalada após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que mataram cerca de 1,2 mil pessoas e levaram 251 reféns a Gaza.

Trump declarou apoio à reeleição de Netanyahu e afirmou que ambos deveriam “concluir em breve o trabalho” no Irã. Apesar disso, surgiram relatos contraditórios de uma intervenção do presidente americano para impedir ataques antes do dia da votação, motivada pelo receio de uma disparada nos preços de energia.

Em Israel, especula-se uma ofensiva de Netanyahu contra o Irã para reforçar um governo de unidade nacional, hipótese rejeitada por seu adversário político, o ex-chefe militar Gadi Eisenkot.

Um diplomata ocidental disse à reportagem da Folha de S.P que Trump poderá buscar o ataque após as eleições legislativas de meio de mandato, momento em que estará livre de pressões eleitorais. “Depois das eleições de meio de mandato, ele estará concentrado em seu legado e vai querer demonstrar capacidade de agir em qualquer questão que não seja o atoleiro político interno”, afirmou a fonte.

O presidente americano indicou mudanças de posição sobre o conflito caso o aliado perca o cargo em Israel. Se Israel tiver o líder errado, ou seja, qualquer um que não seja Bibi, os EUA terão que fazer esse trabalho sozinhos, e não estou disposto a isso”, escreveu Trump nas redes sociais. A relação entre ambos tem oscilado, e o americano chamou Netanyahu de “um primeiro-ministro guerreiro” recentemente e de “completamente louco” durante o verão.

Com a maior parte dos votos contados no pleito israelense, o bloco de Netanyahu lidera sobre a oposição de Eisenkot, mas nenhuma bancada deve atingir as 61 cadeiras necessárias para formar um governo majoritário.

Em resposta às tensões, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, escreveu ao jornal britânico Financial Times que novas ofensivas colocariam “em grave risco a vida de civis, o bem-estar de todos os países da região e a economia global”.

O poder de compra e o custo de vida dominaram as campanhas americanas, problemas agravados pela alta dos preços ocasionada pelas restrições de energia em Hormuz. A estratégia de Trump gerou insatisfação dentro da própria base política no Congresso.

O senador Thom Tillis (Partido Republicano) declarou à emissora CBS News: “Se o presidente realmente quiser reduzir os preços da energia, pode fazer isso resolvendo o problema do Irã, e não prestando um grande [favor] a Vladimir Putin.”

As operações militares em Gaza, na Cisjordânia ocupada e no Irã enfraqueceram o apoio bipartidário histórico a Israel por parte dos parlamentares americanos. O candidato ao Senado por Michigan Abdul El-Sayed (Partido Democrata) defende a redução da ajuda militar ao aliado e declarou à emissora ABC News: “Um aliado que recebe seu dinheiro para empurrar você para guerras das quais não deveria participar não é um aliado”.

A insatisfação com a política externa também pautou as ações de Brad Lander (Partido Democrata), candidato à Câmara dos Representantes por Nova York. O político viajou à Cisjordânia poucos dias antes da votação para ajudar palestinos na colheita de azeitonas, foi detido brevemente por forças israelenses e utilizou os episódios em sua campanha.

Caso o controle democrata no Congresso aumente, limites aos gastos com a ajuda militar a Israel podem ser impostos, embora o Executivo mantenha o poder de veto.