ECONOMIA


Expectativas de inflação para 2027 e 2028 saltam após reeleição de Lula, aponta pesquisa

Levantamento da BGC Liquidez indica IPCA de 5,3% no próximo ano e de 4,3% em 2028

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

As expectativas de inflação dos analistas do mercado financeiro para os próximos anos saltaram após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma pesquisa realizada pela corretora BGC Liquidez com cerca de 30 participantes do mercado aponta que a mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a 5,3% em 2027 e 4,3% em 2028. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Os números representam uma alta expressiva em relação às estimativas da última pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central antes do segundo turno. Na ocasião, as projeções eram de inflação de 4,34% para 2027 e de 3,75% para 2028. A meta estabelecida é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

De acordo com Carlos Thadeu, economista de inflação e commodities da BGC, a revisão está relacionada principalmente à falta de perspectivas de ajuste fiscal e à valorização do dólar. A moeda norte-americana passou de R$ 4,99, no final da semana retrasada, para R$ 5,44 no fechamento dessa sexta-feira (30). O levantamento também aponta que 11% dos entrevistados projetam uma inflação superior a 6% em dezembro de 2027.

“O mercado estava disposto a dar o benefício da dúvida para o Flávio Bolsonaro, com a expectativa de cortes de gastos e Selic mais baixa. Com a reeleição do Lula, essa precificação foi devolvida”, afirmou Thadeu. Segundo o economista, os combustíveis estão entre as principais fontes de pressão sobre os preços, já que a alta do dólar encarece produtos como gasolina e diesel, dos quais o Brasil importa cerca de 30% do consumo.

Outro fator citado pelo especialista é a possível aprovação do fim da escala de trabalho 6×1, que, na avaliação dele, poderia elevar os custos das empresas com contratação de mão de obra. A preocupação dos analistas também envolve a situação das contas públicas. O país precisaria de um ajuste fiscal de pelo menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos, enquanto a dívida bruta já se aproxima de 83% do Produto Interno Bruto (PIB).

A piora das expectativas também atingiu as projeções para a taxa básica de juros. Atualmente em 13,75% ao ano, a Selic tinha perspectiva de recuo para 13,25% até o fim de 2026.

Agora, segundo a BGC, o mercado considera mais provável a manutenção dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta-feira (4). A curva de juros futuros indica apenas 20% de chance de um corte de 0,25 ponto percentual, enquanto já incorpora uma possível alta de 1,5 ponto em 2027.