POLÍTICA


Presidente da Câmara nega cassação de Bruno Reis e detalha ritos distintos de investigação

Carlos Muniz esclarece regra de 14 assinaturas para inquérito parlamentar; CEI difere de abaixo-assinado estudantil com mais de 290 mil adesões

Foto: Rachel Nascimento/MundoBA

 

O presidente da Câmara Municipal de Salvador (CMS), vereador Carlos Muniz (PSDB), descartou nesta terça-feira (27) a possibilidade de perda de mandato do prefeito Bruno Reis (União), em decorrência da redução da frota de ônibus na manhã do domingo (25), durante o 2º turno das eleições deste ano. Muniz deu a declaração em entrevista coletiva após reunião com a bancada da minoria na Câmara, que protocolou um pedido de instalação de Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar o caos do transporte público para eleitores.

A abertura do inquérito legislativo depende da coleta de 14 assinaturas, sendo que Câmara Municipal conta com 43 vereadores. Muniz confirmou o recebimento do requerimento articulado por 10 opositores. “Me comprometi com eles e podem ter certeza que promessa comigo é dívida e faremos”, declarou o presidente da Casa.

Após a validação das assinaturas, a presidência instalará o colegiado com a participação dos autores da proposta. A apuração parlamentar busca definir a responsabilidade de agentes públicos sobre a retenção da frota de ônibus.

O CEI difere do pedido de impeachment liderado com protestos estudantis na prefeitura na segunda-feira (26). O abaixo-assinado popular pelo afastamento do chefe do Executivo municipal acumula 296.062 assinaturas verificadas até o momento de publicação desta matéria.

Questionado sobre a possibilidade de cassação do mandato do prefeito, Carlos Muniz afirmou um veemente “não”, sem mais explicações.

Outros órgãos atuam nas investigações sobre os coletivos de forma paralela. Muniz ressaltou as distinções de uma análise interna da Câmara em comparação aos processos da Polícia Federal e do Ministério Público. “Eu acho que é esperar o inquérito ou a investigação”, pontuou o vereador para sugerir cautela.

A comissão parlamentar buscará definir a responsabilidade de agentes públicos por uma eventual redução deliberada da frota.

A bancada oposicionista, liderada pelo vereador Randerson leal (Podemos), acusa a gestão municipal de permitir a retenção de mais de 900 ônibus. O prefeito Bruno Reis justificou o problema com um atraso operacional para a retirada de adesivos de propaganda eleitoral nos veículos.