ECONOMIA


Ri Happy enfrenta dívida de R$ 827 milhões e corre para abastecer lojas no Natal 

Nova controladora busca recursos para garantir estoques durante o período mais importante do varejo 

Foto: reprodrodução/redes sociais

A Ri Happy tenta garantir o abastecimento das lojas para o Natal enquanto negocia R$ 827,4 milhões em dívidas. A rede, controlada pela empresa de investimentos BluSun, precisa de recursos para comprar mercadorias e evitar impactos nas vendas de fim de ano. 

Um possível aporte da nova controladora pode ajudar a financiar os estoques, mas a renegociação dos débitos não garante dinheiro para novas compras. 

Recuperação extrajudicial 

O Grupo Ri Happy pediu à Justiça de São Paulo a homologação de um plano de recuperação extrajudicial que envolve seis empresas: Ri Happy, PBKids, Partout, New Toys, Brincar e Divertudo. 

Segundo a petição, credores que representam R$ 308,8 milhões em dívidas já aderiram à proposta. O grupo solicitou prazo de 90 dias para obter novas adesões e pediu a suspensão, por 180 dias, das cobranças judiciais relacionadas aos débitos. O pedido ainda depende de análise judicial. 

Juros altos e queda nas vendas 

A empresa atribui as dificuldades financeiras à queda nas vendas físicas, aos juros elevados, à migração de consumidores para o comércio eletrônico e à concorrência de plataformas estrangeiras. 

Segundo a petição, uma renegociação de aproximadamente R$ 292 milhões em dívidas bancárias, realizada em 2023, considerou projeções de caixa que não se concretizaram. Atualmente, o custo anual dessa dívida seria de cerca de R$ 70 milhões. 

Natal aumenta pressão sobre o caixa 

A proximidade do Natal exige planejamento antecipado e reforço dos estoques para atender à demanda da Black Friday e das festas de fim de ano. No entanto, dificuldades financeiras podem levar fornecedores a reduzir prazos de pagamento ou exigir valores antecipados. 

O grupo informa reunir 204 lojas próprias, 88 franquias e mais de 2.600 empregados diretos, com receita líquida média anual de R$ 1,2 bilhão. 

A homologação do plano pode reorganizar os compromissos financeiros, mas não garante recursos para novas compras. Para manter as lojas abastecidas, a Ri Happy precisará preservar o capital de giro e assegurar dinheiro para financiar a operação durante o período de maior movimento do varejo.