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Tarifaço dos EUA: veja como Lula e Flávio Bolsonaro pretendem negociar com Trump 

Negociação de tarifas de 37,5% sobre produtos brasileiros será um dos desafios do próximo presidente 

Foto: Reprodução/Freepik

A relação entre Brasil e Estados Unidos será um dos principais desafios de política externa do próximo presidente. Com tarifas de 37,5% impostas a produtos brasileiros, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam propostas diferentes para negociar com o governo de Donald Trump. 

Segundo o professor de finanças Jarbas Thaunahy, da Strong Business School, Lula tende a priorizar a autonomia diplomática e a diversificação de parceiros, enquanto Flávio pode buscar maior proximidade política com Trump. No entanto, o alinhamento entre governos não garante redução de tarifas ou novos investimentos. 

Entenda a disputa comercial 

Em julho de 2026, os Estados Unidos anunciaram sobretaxas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as medidas atingem parte das exportações nacionais. 

O Brasil iniciou negociações bilaterais e acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC). Em setembro, representantes dos dois países concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir um possível acordo comercial. 

O que Lula propõe 

O programa de governo de Lula defende uma política externa baseada na autonomia brasileira, no multilateralismo e na diversificação de parceiros comerciais. 

O documento também prevê o fortalecimento dos Brics e dos países do Sul Global, além da contestação de medidas comerciais unilaterais. Apesar disso, não apresenta uma proposta específica para as tarifas americanas. 

O que Flávio Bolsonaro propõe 

Flávio defende a aproximação com os Estados Unidos, a Argentina e Israel, além da ampliação das relações comerciais com China, União Europeia e mercados asiáticos. 

Seu plano prioriza a abertura comercial, a atração de investimentos e a retomada do processo de adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Entre os setores estratégicos citados estão agroindústria, minerais críticos, saúde e economia digital. 

O candidato afirma que a diplomacia deve priorizar os interesses econômicos brasileiros, independentemente de afinidades ideológicas. 

Família Bolsonaro e o tarifaço 

A atuação da família Bolsonaro também entrou no debate sobre as tarifas americanas. Eduardo Bolsonaro buscou apoio de integrantes do governo Trump e de parlamentares dos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras. Em julho de 2025, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos do Brasil e associou a medida ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). 

Eduardo defendeu condicionar a retirada das tarifas à aprovação de uma anistia para envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A Procuradoria-Geral da República o acusou de tentar interferir em processos judiciais brasileiros por meio da articulação de sanções americanas. 

Flávio inicialmente apoiou as medidas anunciadas por Trump, mas depois passou a defender a suspensão de novas tarifas sobre produtos brasileiros. 

Com estratégias distintas, os dois candidatos terão de lidar com as exigências comerciais de Washington e buscar alternativas para proteger os setores brasileiros afetados pelas sobretaxas.