BRASIL


Ibama aplica R$2 milhões em multas por queimadas ilegais na Amazônia

Presidente do órgão afirmou que equipes verificam áreas queimadas para identificar responsáveis e classificou incêndios como criminosos

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou R$2 milhões em multas por incêndios florestais ilegais que cobriram Manaus de fumaça nas últimas semanas. Nos últimos sete dias, os agentes registraram 19 casos de infração contra responsáveis pelas queimadas e proibiram temporariamente qualquer atividade econômica ou uso do solo em 12 áreas, que somam 250 hectares.

Entre os proprietários punidos, três não adotaram as medidas de prevenção e combate a incêndios exigidas em editais de notificação do Ibama, seis causaram danos à vegetação nativa e dois destruíram áreas de floresta. Também houve punições por atividade agrossilvopastoril sem licença ambiental, na qual é feito o uso integrado de uma mesma área para cultivo de árvores, lavouras e pecuária.

O presidente do órgão, Jair Schmitt, afirmou que as equipes verificam as áreas queimadas para identificar os responsáveis e classificou os incêndios como criminosos. O trabalho deve continuar nos próximos dias, em ação coordenada com órgãos federais e estaduais.

Segundo apuração feita pela Folhapress, houve consenso entre os agentes de que a origem das queimadas é quase inteiramente humana e intencional. As investigações, incluindo a da Polícia Federal, apuram se há motivação política.

Segundo o governador Roberto Cidade, 11 pessoas foram presas em Autazes por suspeita de envolvimento em crimes ambientais ligados às queimadas ainda no sábado. Segundo o gestor, cerca de metade dos focos está em áreas federais e a outra metade em áreas estaduais. Autazes registrou 139 focos entre os dias 10 e 13, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Já no domingo (18), o MPF pediu a instalação, em até 72 horas, de uma sala de situação interfederativa em Manaus, a criação de uma força-tarefa e a suspensão de qualquer autorização para queima. No mesmo dia, uma comitiva do governo federal visitou a região, com os ministros João Paulo Capobianco (Meio Ambiente), Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública), José Múcio Monteiro (Defesa) e Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional).

O Amazonas registrou 8.177 focos de incêndio em 2026 até 18 de outubro, alta de 111% em relação ao mesmo período de 2025, mas 49% abaixo da média histórica. Na Amazônia como um todo, foram 40.633 focos, alta de 62% na comparação anual e 47% abaixo da média histórica do Inpe