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Ibama aponta guerra política como causa de incêndios criminosos na Amazônia

Jair Schmitt detalha a operação de combate ao fogo no Amazonas; Manaus está coberta pela fumaça das queimadas há 12 dias consecutivos

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Instituto Brasileiro do Meio ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Jair Schmitt, afirmou na última semana que disputas políticas nas redes sociais motivam incêndios criminosos na Amazônia. As informações são da Folha de S.P, coletadas no Amazonas durante acompanhamento da crise ambiental, agravada pelo clima seco e por ações humanas.

Schmitt relatou a existência de indivíduos que ateiam fogo de forma intencional nas matas por influência ideológica. “O que a gente vê é uma guerra política”, disse o chefe do órgão federal.

Ele explicou que parte da população utiliza o cenário de desastre para criticar a atual gestão. “Este governo foi o que mais investiu no combate aos incêndios”, declarou o presidente.

Um vídeo de suposto brigadista com críticas à falta de equipamentos circulou na internet recentemente. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), republicou o conteúdo para atacar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O presidente do Ibama classificou a atitude das autoridades e dos cidadãos como imprudente. “São declarações muito irresponsáveis, seja de um cidadão comum ou de autoridades”, afirmou Schmitt. “Essas declarações alimentam mais fogo”, acrescentou.

Equipes de inteligência investigam a possibilidade de os incêndios terem organização estruturada. A Polícia Federal, a Polícia Civil e a Agência Brasileira de Inteligência apuram os crimes.

A investigação compara os atos atuais a episódios anteriores de incêndios com motivação política, como os registrados em 2019 durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL). Schmitt alertou para o crime de imitação, no qual indivíduos replicam atos de grande repercussão para obter visibilidade.

No sábado (17), a equipe do Ibama flagrou pessoas com material inflamável nas margens de estradas para iniciar as chamas. “Isso está sob investigação, mas é uma coisa notória, patente”, relatou o presidente.

Além da motivação política, a prática criminosa possui fins econômicos, como a limpeza de áreas de pastagem para pecuária ou agricultura. Falhas no controle de fogueiras também originam focos de calor, mas representam a minoria dos casos. Quase todos os incêndios nas matas originam de ação humana, com o impacto potencializado pelo fenômeno El Niño. A seca intensa na região amazônica facilita a propagação rápida das chamas.

Correntes de vento transportam a fumaça do interior do Amazonas e do oeste do Pará para Manaus. As características atmosféricas fazem a névoa estacionar sobre a capital do estado amazonense, prejudicando a qualidade da respiração dos moradores. Nesta segunda-feira (19), a fumaça as queimadas completa 12 dias.

O combate direto ocorre a leste de Manaus, nos municípios de Autazes, Careiro da Várzea, Borba, Itacoatiara e Parintins. A operação conjunta com o ICMBio atua também no sul do estado, em Boca do Acre, Lábrea, Apuí, Novo Aripuanã e Manicoré.

Os órgãos federais enviaram 330 brigadistas, 41 fiscais, 32 viaturas, equipamentos individuais de combate, bombas costais e estruturas de acampamento. A operação possui ainda o suporte de embarcações e 11 aeronaves para o território.

A frota aérea inclui um KC-390 da Força Aérea Brasileira, 6 aviões de lançamento de água, três helicópteros e uma aeronave para apoio logístico. O orçamento disponibilizado para a atividade neste ano soma R$ 269 milhões.

Atualmente, existem 2.600 brigadistas contratados no Brasil para o serviço de contenção do fogo. “Nunca se contratou tanto brigadista”, destacou o chefe do Ibama.

Schmitt também negou a falta de resposta a um pedido de quatro aviões feito pelo Corpo de Bombeiros do Amazonas. Ele informou que o Ministério da Justiça não providencia aeronaves e que o protocolo legal teve cumprimento imediato com envio de equipes e veículos.