ELEIÇÕES


Flávio Bolsonaro cita Lula 45 vezes e apresenta 17 dados incorretos

Checagem aponta informações falsas sobre segurança pública e falta de respostas sobre ajuste fiscal e Banco Master

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

​O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) concedeu entrevista à jornalista Renata Lo Prete na TV Globo na sexta-feira (16). Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, o político citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) 45 vezes e apresentou 17 informações distorcidas.

​Um levantamento identificou a menção ao adversário a cada 57 segundos nos 43 minutos de transmissão. As referências nominais ocorreram 28 vezes, e as indiretas somaram 17.

​Institutos de checagem analisaram 26 declarações do senador durante a sabatina. Os dados apontaram cinco afirmações falsas e 12 imprecisas, com representação de 65,4% da amostra.

​O político associou o governo atual a um recorde de criminalidade. A estatística oficial, no entanto, aponta a taxa de mortes violentas em 2023 como a menor desde 2012.

​Flávio Bolsonaro declarou que o ex-ministro Flávio Dino visitou o Complexo da Maré sem segurança policial. A Polícia Federal desmentiu a versão e confirmou a proteção ao ministro na ocasião.

​O senador emitiu informação falsa sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial. O Ibama concedeu a licença em outubro de 2023 e viabilizou o início da perfuração pela Petrobras.

​A entrevista abordou a troca de um superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro em 2019. O senador justificou a mudança com supostos resultados insatisfatórios, mas a corporação negou essa motivação.

​A jornalista lembrou a demissão do ex-ministro Sergio Moro motivada pelas interferências na corporação. O candidato evitou a questão e destacou a retomada da aliança com o ex-juiz nas eleições de 2022.

​Flávio Bolsonaro também errou sobre a estrutura partidária. Ele atribuiu a Cândido Vaccarezza a direção do Instituto Lula, sob comando real de Paulo Okamotto.

​As 12 imprecisões envolveram dados econômicos e administrativos. Flávio apresentou um déficit das estatais de R$ 36 bilhões, contra os reais R$ 23,81 bilhões, e omitiu receitas de privatizações da gestão anterior.

​Ele também creditou o aumento do Bolsa Família para R$ 600 a Jair Bolsonaro (PL). A afirmação omitiu o caráter temporário da medida na pandemia e a necessária aprovação no Congresso Nacional.

​Outros erros envolveram a contagem de ministérios, fixada em 38 pastas, e as trocas de superintendentes na Polícia Federal. A lista de distorções incluiu menções ao Porto de Santos, queimadas, imóveis da União e tráfico de cocaína.

​Renata Lo Prete questionou o financiamento do filme sobre seu pai com recursos ligados ao Banco Master. O senador solicitou R$ 134 milhões e obteve R$ 70 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro.

​”Mas já vieram a público. A produtora do filme aqui no Brasil, ela prestou conta de tudo, não tinha um centavo da produtora que não tivesse autorização do fundo”, justificou o candidato.

​A prestação pública dessas contas permanece inexistente até o momento. O político argumentou tratar de uma operação privada e sem ligação com seu cargo no Senado.

​”Vamos separar as coisas e é muito importante a sua pergunta e mais uma vez: eu vou esclarecer quantas vezes forem necessárias”, continuou o parlamentar.

​A fala foi finalizada com ênfase na natureza da produção. “Eu estou falando de um pedido de um patrocínio privado para um filme privado sem nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República”, declarou.

​O senador deixou perguntas sem respostas sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022. Ele direcionou a resposta para questões sobre motoboys em São Paulo.

​O plano de ajuste fiscal também ficou sem demonstração matemática. O candidato prometeu cortes de cargos e despesas sem detalhar a economia de cada medida ou os impactos para os programas sociais.