ELEIÇÕES


Campanha de Flávio Bolsonaro repassa R$ 731 mil para empresa de IA investigada nos EUA

Ex-consultor relata ao FBI oferta de sistema para manipulação de eleitores com perfis falsos, enquanto defesa do PL alega contratação para segurança cibernéticaO senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, pagou R$ 600 mil à empresa de cibersegurança Elytron nas eleições de 2026. A companhia, alvo de denúncias por um ex-consultor, teria ofertado um sistema de Inteligência Artificial focado em manipulação política e desinformação. Os registros da operação surgiram a partir das denúncias do tecnologista estadunidense Vincent Edward Reed. Ele atuou como consultor da Elytron entre os anos de 2024 e 2025. O ex-consultor relata que rompeu o contrato por avaliar as práticas como antiéticas. Ele disse que o acesso à demonstração do sistema revelou a capacidade de atingir eleitores com criações falsas de imagem e voz. Reed levou o caso ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos. “O termo manipulação foi de fato usado. E qualquer vez que eu ouço a palavra manipulação humana, especialmente quando envolve IA, me preocupa”, afirmou o tecnologista. Documentos do projeto detalham operações baseados em dados em grande escala para perfilar eleitores. As ações previstas incluem criar contas inautênticas, plantar boatos e desacreditar oponentes políticos com métodos de infiltração. A plataforma utiliza cruzamento de dados sociais, políticos e econômicos para segmentar os alvos da campanha. “Como usa tecnologia de fontes abertas e tem acesso ao X e às plataformas da Meta, o sistema pode mirar usuários individuais com base em demografia”, explicou Reed. As despesas no Brasil constam no sistema DivulgaCand, da Justiça Eleitoral. O total pago à Elytron pela campanha de Flávio Bolsonaro soma R$ 600 mil, com notas emitidas no dia 16 de setembro e no dia 2 de outubro, ambos no ano de 2026, em período eleitoral. A campanha declarou uma despesa de R$ 1 milhão com a empresa na prestação de contas parcial entregue no final de setembro. O PL também informou um pagamento de R$ 131,9 mil à mesma empresa no dia 20 de julho. As notas fiscais descrevem o serviço como consultoria em tecnologia da informação. OS documentos citam atividades de apoio forense, testes de segurança, monitoramento de infraestrutura e investigação de ciberataques. A assessoria da campanha de Flávio Bolsonaro nega contratações ilegais. A equipe afirma que contratou um serviço exclusivo de segurança da informação para proteger os sistemas de comunicações contra ataques cibernéticos. ​A Elytron publicou uma resposta oficial com repúdio às acusações. A empresa nega o uso de métodos inautênticos e declara que atua com serviços de natureza de defesa no segmento de segurança cibernética. ​A legislação brasileira proíbe ações com essas características por comprometerem a integridade do processo eleitoral. A reportagem completa com as evidências está disponível no site Intercept Brasil.

Foto: Reprodução/YouTube

 

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, pagou R$ 600 mil à empresa de cibersegurança Elytron nas eleições de 2026. A companhia, alvo de denúncias por um ex-consultor, teria ofertado um sistema de Inteligência Artificial focado em manipulação política e desinformação.

Os registros da operação surgiram a partir das denúncias do tecnologista estadunidense Vincent Edward Reed. Ele atuou como consultor da Elytron entre os anos de 2024 e 2025.

O ex-consultor relata que rompeu o contrato por avaliar as práticas como antiéticas. Ele disse que o acesso à demonstração do sistema revelou a capacidade de atingir eleitores com criações falsas de imagem e voz.

Reed levou o caso ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos. “O termo manipulação foi de fato usado. E qualquer vez que eu ouço a palavra manipulação humana, especialmente quando envolve IA, me preocupa”, afirmou o tecnologista.

Documentos do projeto detalham operações baseados em dados em grande escala para perfilar eleitores. As ações previstas incluem criar contas inautênticas, plantar boatos e desacreditar oponentes políticos com métodos de infiltração.

A plataforma utiliza cruzamento de dados sociais, políticos e econômicos para segmentar os alvos da campanha. “Como usa tecnologia de fontes abertas e tem acesso ao X e às plataformas da Meta, o sistema pode mirar usuários individuais com base em demografia”, explicou Reed.

As despesas no Brasil constam no sistema DivulgaCand, da Justiça Eleitoral. O total pago à Elytron pela campanha de Flávio Bolsonaro soma R$ 600 mil, com notas emitidas no dia 16 de setembro e no dia 2 de outubro, ambos no ano de 2026, em período eleitoral.

A campanha declarou uma despesa de R$ 1 milhão com a empresa na prestação de contas parcial entregue no final de setembro. O PL também informou um pagamento de R$ 131,9 mil à mesma empresa no dia 20 de julho.

As notas fiscais descrevem o serviço como consultoria em tecnologia da informação. OS documentos citam atividades de apoio forense, testes de segurança, monitoramento de infraestrutura e investigação de ciberataques.

A assessoria da campanha de Flávio Bolsonaro nega contratações ilegais. A equipe afirma que contratou um serviço exclusivo de segurança da informação para proteger os sistemas de comunicações contra ataques cibernéticos.

​A Elytron publicou uma resposta oficial com repúdio às acusações. A empresa nega o uso de métodos inautênticos e declara que atua com serviços de natureza de defesa no segmento de segurança cibernética.

​A legislação brasileira proíbe ações com essas características por comprometerem a integridade do processo eleitoral.

Com informações do Intercept Brasil