ECONOMIA


Entenda o que fez Ibovespa cair após recordes

Para consultor, leitura inicial sugere que mercado está ajustando posições depois de ganho expressivo

Foto: Reprodução/Freepik

 

Após abrir estável e marcar máxima em 209.071,98 pontos, o Ibovespa passou a cair e renovou mínimas, perdendo cerca de 2.900 pontos. O recuo é atribuído à cautela doméstica e externa, o que instiga ajuste parcial após a valorização de 8,82% na semana passada, em parte.

Às 11h37 (horário de Brasília), o Ibovespa cedia 0,94%, aos 207.004,24 pontos. O recuo é atribuído por analistas à cautela no mercado doméstico e no exterior. No Brasil, o foco é a disputa acirrada para a Presidência da República. No cenário mundial, a tensão geopolítica dos EUA com o Irã segue no radar.

“A pressão veio da volta do feriado, da nova rodada de pesquisas eleitorais para o segundo turno e da cautela com o cenário externo, especialmente o comportamento do petróleo”, aponta Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil.

Para Araújo, a leitura inicial sugere que o mercado está ajustando posições depois de um ganho expressivo. A abertura abaixo dos 209 mil pontos indica disposição dos investidores em capturar parte desses ganhos, ainda que o recuo não represente uma reversão mais profunda da tendência de alta.

Além disso, ressalta, o movimento do dólar reforça que a pressão sobre o real tem origem principalmente em fatores domésticos, vinda das pesquisas eleitorais, discussão da PEC do fim da escala 6×1 e incertezas fiscais, e não em uma valorização generalizada do dólar global.

Paralelamente, o avanço na estimativa para a inflação deste ano no boletim Focus reforça o ambiente parcimonioso, apesar do arrefecimento na expectativa para a taxa Selic deste ano. Desta forma, os juros futuros e o dólar em relação ao real sobem.

Outro ponto de atenção deve ser o cenário fiscal. Nesta terça-feira (13), o governo federal anunciará mais uma etapa do Desenrola MEI, programa para renegociar dívidas de Microempreendedores Individuais (MEIs). E ainda, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautou para amanhã a votação em primeiro turno da PEC 221, que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.

Segundo Rodrigo Moliterno, sócio e head de renda variável da Veedha Investimentos, a votação pode influenciar as pesquisas eleitorais. “O mercado ficará atento ao desfecho. É um processo que pode afetar a corrida presidencial”, diz.

Divulgado hoje, levantamento BTG/Nexus mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 48% das intenções de voto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45%, em empate técnico. Também saiu pesquisa PoderData/Aya, que traz o senador do PL com 51% dos votos válidos no segundo turno e o petista com 49%.

Os candidatos estão tecnicamente empatados, considerada a margem de erro de 1,8 ponto porcentual, para mais ou para menos. Na rodada anterior, publicada em 8 de outubro, Flávio tinha 53% e Lula, 47%. A Quaest divulga resultados amanhã. Datafolha, Atlas e Instituto Indexa publicam na quinta-feira.