ELEIÇÕES


Aliados de Lula articulam neutralidade do PSD no 2º turno e tentam aproximação com Cury

Lula tem setores do Avante dentro de sua aliança política, como o presidente do partido na Bahia, o ex-deputado Ronaldo Carletto

Foto: Ricardo Stuckert/PR

 

Com um provável cenário de segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prenunciado nas pesquisas eleitorais, articuladores políticos do chefe de governo vislumbram a possibilidade de obter ao menos uma neutralidade do PSD na etapa decisiva e buscam estabelecer alguma relação política com o grupo do também candidato Augusto Cury (Avante). A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

Meses atrás, petistas avaliavam ser possível impulsionar Lula para uma vitória no primeiro turno. Agora, faltando pouco mais de uma semana para a eleição, o cenário se mostra inviável —Flávio Bolsonaro ganhou espaço nas pesquisas e até aparece numericamente à frente do petista em algumas simulações de segundo turno.

Uma dificuldade que o próprio Lula constatou antes mesmo de a campanha se iniciar é que seus principais adversários estão no campo antipetista, tornando quase impossível angariar apoios de candidatos a presidente derrotados na primeira votação. A tendência é que a maior parte dos eleitores desses políticos migre para Flávio Bolsonaro.

Um dos adversários de Lula que se coloca nessa posição é Ronaldo Caiado (PSD), que apareceu na última pesquisa Datafolha com 4% das intenções de voto —o levantamento tem margem de erro de 2 pontos percentuais. Aliados do petista acham muito difícil um acordo com Caiado, mas acreditam ser possível obter uma neutralidade de seu partido, o PSD.

Nesse caso, a conversa seria com o presidente da sigla, Gilberto Kassab, vice na chapa de Caiado. Se a legenda adotar uma neutralidade nacional, seria mais fácil para Lula cultivar alianças com líderes locais pessedistas —parte dos quais apoia o candidato à reeleição já no primeiro turno.

Entre articuladores do presidente da República, também há a avaliação de que uma parte do eleitorado de Caiado é de uma direita tradicional que não gosta de Lula, mas que também rejeita Flávio Bolsonaro. Seria possível, de acordo com esse cálculo, obter alguns votos de segundo turno desse grupo com base na rejeição ao adversário.

Terceiro colocado nas pesquisas, Augusto Cury tem dito que não apoiará nem Lula nem Flávio Bolsonaro. O Datafolha mostrou Cury com 6% das intenções de voto.

Articuladores do presidente da República buscam estreitar conversas com o grupo próximo a Cury, ainda que aliados do candidato do Avante avaliem que ele provavelmente ficará neutro no segundo turno.

Lula tem setores do Avante dentro de sua aliança política. Por exemplo: o presidente do partido na Bahia, o ex-deputado federal Ronaldo Carletto, é o primeiro suplente na candidatura de Rui Costa (PT) a senador.

Costa é um dos aliados mais poderosos de Lula. Foi ministro da Casa Civil no atual governo, deixando o posto apenas para se candidatar ao Senado. Sua eleição como senador é dada como certa na Bahia. Se Lula também for reeleito, provavelmente Costa será ministro de novo. Ou seja, existe a possibilidade de o primeiro suplente assumir o mandato de senador.

Os demais candidatos a presidente da República ou fazem ataques muito diretos a Lula ou têm intenção de voto muito baixa. Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) também são vocais representantes do antipetismo, assim como seus partidos. Eles apareceram com 3% e 2% no último Datafolha, respectivamente.