POLÍTICA


Governo Lula já gastou R$ 269 bilhões para tentar reeleição, aponta Gastrômetro

Ferramenta do Estadão contabiliza todos os programas, benefícios, subsídios, renúncias e linhas de crédito anunciados em 2026

Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já destinou R$ 269 bilhões a programas, benefícios, subsídios e outras medidas em 2026, segundo o Gastômetro, ferramenta do Estadão que acompanha ações do governo federal em ano eleitoral. O valor foi atualizado após o anúncio do reajuste do Bolsa Família.

O levantamento reúne medidas como programas de crédito e subsídios voltados a setores e categorias específicas, além de isenções e financiamentos para aquisição da casa própria. Também entram na conta renúncias de receitas, como a isenção e o desconto do Imposto de Renda para pessoas que recebem até R$ 7 mil por mês.

Entre os programas contabilizados estão o Bolsa Família, o Pé-de-Meia e o Gás do Povo, além de modalidades do Desenrola Brasil e o Luz do Povo. A ferramenta também considera despesas com publicidade institucional e medidas relacionadas à subvenção de combustíveis.

O valor pode ser alterado ao longo do ano conforme novas medidas sejam anunciadas ou despesas autorizadas. Entre as ações incorporadas recentemente estão a ampliação da subvenção para gasolina e diesel e o reajuste do Bolsa Família.

Em julho, Lula criticou as restrições previstas na legislação eleitoral para determinadas ações do governo durante o período de eleições. Em discurso no Rio Grande do Norte, o presidente classificou as regras como “Papagaiada desgraçada”.

A economista Selene Nunes, ex-secretária de Fazenda de Goiás e uma das autoras da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), afirmou que a criação de programas, subsídios e benefícios reduz o espaço fiscal e pode aumentar o endividamento público.

“A contabilidade fiscal pode mudar conforme o instrumento escolhido, mas o custo econômico não desaparece. Se o governo concede subsídio, assume risco ou se endivida, alguém paga essa conta — hoje ou no futuro”, afirmou.

Daniel Couri, consultor de orçamentos do Senado Federal, também apontou dúvidas sobre a condução do ajuste fiscal. “Vejo um certo otimismo com 2027, como se algum tipo de ajuste fosse inevitável, mas as chances de uma recessão só aumentam e, quando isso acontecer, como o governo irá se comportar? Não duvido que intensifique os incentivos, dobrando a aposta.”

Em estudo do Insper, os economistas Marcos Mendes e Sergio Firpo questionaram argumentos do governo sobre transparência, uso de recursos para abatimento da dívida e eficácia de algumas das medidas. Segundo o estudo, determinadas operações poderiam ser utilizadas para contornar limites das regras fiscais.

O governo contesta a metodologia do Gastômetro. Em nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) classificou como “descabida e metodologicamente insustentável” a tentativa de associar as medidas à reeleição de Lula.

Segundo a secretaria, as ações têm objetivos distintos, como manter jovens na escola, combater o crime organizado, proteger empregos e empresas, conter pressões sobre preços e enfrentar situações de emergência. A Secom também ressaltou que parte dos valores contabilizados corresponde a linhas de crédito, e não a recursos já desembolsados.

“Proteger a população, a economia e o país é obrigação permanente do Estado, não liberalidade eleitoral”, afirmou a Secom. A secretaria acrescentou que a legislação estabelece restrições durante o período eleitoral, mas não interrompe a execução de políticas públicas.

Com informações de O Estado de S. Paulo