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Secas consecutivas aumentam risco de crise hídrica na Amazônia sob El Niño

Cemaden e Inpe preveem queda no nível dos rios Xingu e Negro para os próximos três meses

Foto: Prefeitura de São José do Xingu (MT)

O acúmulo de secas anteriores amplia a vulnerabilidade dos rios da Amazônia diante do avanço do EL Niño. O alerta do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) ocorreu na terça-feira (15).

Rios como Negro e Xingu entram em situação de “seca moderada” após anos de déficit hídrico. O quadro impede a recomposição dos reservatórios subterrâneos que mantêm o fluxo hídrico nos períodos de estiagem.

“Associadas a altas temperaturas, as chuvas não têm sido suficientes para recuperar os níveis dos rios”, afirmou a pesquisadora do Cemaden, Adriana Cuartas. “É muita escassez que está se acumulando ao longo do tempo.”

Em agosto, o volume das águas de diversos rios permaneceu abaixo do esperado para a época. “Então, a tendência é piorar nessa região e nesses pontos [nos próximos três meses]”, declarou a pesquisadora.

Na bacia do Xingu,. a vazão no mês passado igualou os índices de agosto de 2023. O governo brasileiro autorizou a usina hidrelétrica de Belo Monte a operar com vazão mínima de 100m³/s até 30 de novembro.

A redução de leitos preocupa órgãos públicos por causa dos impactos na navegação, na pesca e no sustento de comunidades locais.

O El Niño teve início em junho com o aquecimento anormal do oceano Pacífico equatorial. A agência climática dos Estados Unidos calcula em 97% a chance de o fenômeno atingir o patamar muito forte ainda neste mês.

No Brasil, oe evnto climático gera seca nas regiões Norte e Nordeste, além de tempestades no Sul e ondas de calor. O cenário aponta para um verão com temperaturas elevadas e estiagem em grande parte do território nacional.

Em evento conjunto nesta terça-feira, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) explicaram que os efeitos dependem de fatores adicionais, como a temperatura do Oceano Atlântico Tropical e da atmosfera.

Um fenômeno mais intenso eleva a probabilidade de ocorrência dos impactos característicos, sem significar estragos mais graves de forma automática. As consequências socioeconômicas e ambientais oscilam de acordo com as vulnerabilidades de cada localidade.