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Casa do Comércio sedia debate sobre a transição para a economia circular

Roadshow Ambição Circular, iniciativa do Ibec, chegou à sua quarta parada, em Salvador, numa parceria com o Sistema Comércio BA e a CNC

Foto: Assessoria

 

O Sistema Comércio BA — Fecomércio, Sesc e Senac —, o Instituto Brasileiro de Economia Circular (Ibec) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) realizaram, nesta quinta e sexta (3 e 4), a quarta parada do roadshow Ambição Circular 2026, que está passando pelas cinco regiões do país. Em um encontro na Casa do Comércio, os participantes colocaram o comércio no centro do debate sobre a economia circular, com ênfase em oportunidades para o Nordeste. Representantes do poder público e do comércio debateram novos modelos de negócios e meios de engajar os consumidores no tema, a fim de construir soluções em escala para a economia circular.

A programação contou com uma palestra da especialista austríaca Karin Huber-Heim e uma visita ao Restaurante-Escola Senac, o primeiro restaurante carbono neutro do Brasil. Além disso, nesta sexta (4), o evento seguiu com painéis no Espaço Mário Cravo (Casa do Comércio) e uma visita ao Senai Cimatec.

As trocas do evento focaram na economia circular como fator de competitividade, o que demanda novas medidas de investimento e retorno. Para falar com o último elo da cadeia, o consumidor, o varejo precisa fazer a conta da economia circular fechar junto à indústria e transformar a forma como as mensagens são passadas ao público final. Mais do que se posicionar como um coletor de materiais e embalagens, o varejo vai precisar trazer novos serviços e facilidades para o consumidor.

Em sua fala de abertura, o presidente do Sistema Comércio BA, Kelsor Fernandes, enfatizou que a combinação entre sustentabilidade, inovação e eficiência é possível, necessária e viável economicamente:

“Atuar em ESG não é mais uma questão de reputação, mas de competitividade e sobrevivência dos negócios. O que o Sistema Comércio está fazendo na Bahia não é apenas uma agenda interna, mas uma que pode servir de referência para o Brasil ao associar gestão, processos, economia, sustentabilidade e impacto real. São conceitos levados para a forma como pensamos e construímos nossos equipamentos, pois não basta tornar sustentável aquilo que já existe, precisamos pensar em sustentabilidade antes mesmo de colocar a primeira pedra”, disse Fernandes.

As três primeiras paradas do roadshow Ambição Circular, criado pelo Ibec, aconteceram em Porto Alegre (RS), Brasília (DF) e Vitória (ES). A escolha de Salvador para sediar a etapa Nordeste não foi por acaso: segundo o IPC Maps, o índice de potencial de consumo da Bahia foi o maior do Nordeste em 2025, superando R$ 410 bilhões. Salvador figura como a capital do Nordeste com maior potencial de consumo no Brasil.

Além disso, na última Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, que avaliou o desempenho do comércio brasileiro no primeiro semestre do ano, os seis estados nordestinos analisados superaram a média nacional de crescimento do varejo — enquanto o Brasil cresceu 1,9%, a Bahia registrou um crescimento de 3,5%, por exemplo.

“Economia circular não é uma pauta só da indústria, o comércio é um facilitador desta transição. Por isso, é tão relevante contar com a CNC e o Sistema Comércio BA como parceiros. A ideia é mostrar como novos formatos de comercialização de produtos e serviços podem trazer receitas adicionais, gerando menos impactos ambientais. Precisamos pensar em como novas experiências de consumo vão agregar valor ao consumidor e criar fidelidade com a marca”, declarou a presidente do Ibec, Beatriz Luz.

O Roadshow Ambição Circular busca posicionar a economia circular como fator de competitividade e estimular debates e a formação de alianças multissetoriais para transformar conhecimento em possibilidades reais de negócios.

A especialista em Sustentabilidade da CNC, Thainy Bressan, representou a Confederação no encontro e defendeu que a responsabilidade precisa ser compartilhada:

“Esse é um tema educacional que busca mudar culturas, transformar o modo como as empresas olham para os seus resíduos e seus modelos de negócios. Precisamos de exemplos de como fazer diferente, entender como os atores envolvidos nesta temática estão trabalhando. Se a gente consegue fazer dentro da nossa própria casa, entendemos quais são os desafios para conseguir levar para fora. Para o comércio ser protagonista da mudança e levá-la para o consumidor, precisaremos de incentivos”.

Estiveram presentes nomes como Sosthenes Macedo (Secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano), André Fraga (Vereador de Salvador), Loyola Neto (Diretor da Fecomércio BA), Nelson Daiha Filho (superintendente da Fecomércio BA) e Ana Rita Andrade (Diretora Regional do Senac BA). Também participaram representantes do Sebrae BA: Frutos Dias Neto, Márcia Sued, Tércio Calmon e Marco Dantas.

Além disso, os paineis abordaram assuntos como comportamento do consumidor, novas experiências de consumo e o papel do design circular. Participaram representantes das seguintes empresas e instituições: Wise Plásticos, Stellantis/Circular Peças, SOLOS e Fundação Ellen MacArthur, além do case da Circular Library Network, iniciativa de compartilhamento de produtos e itens com mais de 10 anos de experiência na Irlanda que está chegando ao Brasil.

Mais do que ter a informação, consumidor precisa se sentir estimulado

A austríaca Karin Huber-Heim, que é chair da Força de Tarefa pela Economia Circular da Áustria (Austrian Circular Economy Task Force), participou do evento de forma remota e falou sobre meios de implementar mudanças em modelos de negócios para alavancar a circularidade no comércio. A especialista é conselheira nos ministérios da Proteção Climática, da Inovação e Tecnologia e do Emprego e Economia da Áustria.

Segundo ela, só o acesso a informações sobre economia circular não é o suficiente para mudar comportamentos e a rotina dos consumidores. Cabe ao comércio traçar estratégias de circularidade que combinem viabilidade, conveniência e confiança dos consumidores, um desafio de concepção de novos mercados e geração de demanda.

A especialista explicou que, para a economia circular acontecer, é preciso limitar o uso de materiais primários e criar ciclos que mantenham os produtos e valor na cadeia produtiva por mais tempo. E, embora a tecnologia consiga garantir rastreabilidade, reparos e iniciativas de compartilhamento, não é a tecnologia que cria a adoção por parte do consumidor. Então, o varejo deve traduzir inovação para produtos e serviços mais acessíveis, confiáveis e impactantes para o público final.

“Ao criar lealdade no consumidor, o varejo consegue ter acesso a dados valiosos, que vão alavancar novas estratégias de negócios. Ou seja, é preciso testar caminhos para sair de trocas únicas para relações duradouras com o público. Nem todo varejista deve operar sozinho o sistema circular completo; a chave é identificar o seu papel no ecossistema, por meio do qual vai criar e capturar valor”, explicou Karin.