POLÍTICA


Dark Horse: PGR aponta ‘aporte ilícito’ de Vorcaro e diz que Eduardo Bolsonaro teria orientado recursos

Manifestação de Paulo Gonet cita indícios de participação de Eduardo na gestão do dinheiro nos EUA

Foto: Flickr/Eduardo Bolsonaro

 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou como “aporte ilícito” o dinheiro enviado pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o financiamento do filme Dark Horse. Em manifestação apresentada no caso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, citou ainda indícios de que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) teria participado da administração dos recursos destinados ao projeto nos Estados Unidos.

O documento foi produzido em julho de 2026 e se tornou público após o Supremo Tribunal Federal (STF) retirar o sigilo dos autos na noite de quinta-feira (10). Na avaliação da PGR, a análise das movimentações financeiras e das mensagens encontradas no celular de Vorcaro indica que empresas teriam sido utilizadas para viabilizar transferências consideradas suspeitas.

“A representação conclui que as coincidências entre os valores previstos no contrato de financiamento e as remessas internacionais identificadas na análise financeira, somadas às comunicações extraídas do aparelho celular de DANIEL VORCARO, constituem indícios relevantes de que as pessoas jurídicas referidas foram utilizadas para operacionalizar aportes ilícitos destinados ao filme.”

Eduardo Bolsonaro é citado na gestão dos recursos

Segundo Gonet, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde março de 2025, teria orientado a administração do dinheiro no país. A manifestação reproduz uma hipótese levantada pela Polícia Federal a partir de uma captura de tela atribuída ao ex-deputado, na qual ele aparece tratando do envio de recursos em território americano.

“A autoridade policial levanta a hipótese de que EDUARDO BOLSONARO orientou a gestão dos recursos em solo estrangeiro.”

A PGR acompanhou o pedido da Polícia Federal para abertura de uma investigação específica sobre o financiamento do filme e sobre uma possível participação de Eduardo e do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.

O pedido foi acolhido pelo ministro Edson Fachin, do STF, que determinou a abertura de procedimento para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Eduardo e Flávio Bolsonaro negam qualquer irregularidade.

PGR quer investigar possível atuação de Flávio

No caso de Flávio Bolsonaro, Gonet pediu que sejam analisadas propostas legislativas apresentadas ou apoiadas pelo senador para verificar se houve alguma medida no Congresso que pudesse ter beneficiado interesses do Banco Master.

A intenção é identificar uma eventual relação entre a atuação parlamentar de Flávio e o negócio envolvendo o projeto cinematográfico. A própria manifestação ressalta que a apuração ainda está em fase inicial.

“O apanhado de achados mostra que, efetivamente, as investigações estão no seu momento inicial, carecendo de aprofundamento, igualmente e sobretudo, no que toca à prática de ato típico da função parlamentar que possa ser atribuída, numa lógica de causa e efeito, ao negócio cinematográfico mencionado.”

O documento também registra uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro ocorrida em 17 de novembro de 2025, um dia antes da primeira prisão do banqueiro. Na mensagem, Vorcaro escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.