POLÍTICA


AGU pede a Fachin suspensão de afastamento de diretores da PF determinado por Mendonça

Órgão afirma que decisão viola competência do presidente Lula para nomear e exonerar dirigentes da corporação

Foto: Ascom/AGU

 

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu, em caráter de urgência, ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a suspensão da decisão do ministro André Mendonça que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da Polícia Federal, o delegado Leandro Almada. O pedido foi apresentado nesta terça-feira (8), no âmbito da Petição (PET) nº 16.662/DF.

Assinada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e por outros integrantes da direção da AGU, a petição sustenta que o afastamento provoca grave lesão à ordem pública e administrativa. O órgão afirma que a medida interfere na competência constitucional exclusiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para nomear e exonerar ocupantes de cargos de direção da Polícia Federal.

A AGU também argumenta que a interrupção da gestão da corporação pode comprometer o funcionamento das atividades de polícia judiciária e provocar desorganização institucional. Segundo o documento, os fatos relacionados à produção e divulgação de relatórios de inteligência da PF já estavam sendo analisados pela Presidência do STF desde 3 de setembro de 2026.

O procedimento conduzido por Fachin delimitou pontos da investigação e estabeleceu prazo de cinco dias úteis para que autoridades envolvidas, incluindo os dois diretores afastados, apresentassem manifestações. Para a União, a decisão de Mendonça antecipou medidas cautelares e levou à Segunda Turma do STF uma questão que, segundo o próprio relator, deveria ser analisada pelo Plenário da Corte.

Diante da urgência, a AGU pediu a Fachin que suspenda imediatamente os efeitos do afastamento dos dirigentes da Polícia Federal e, posteriormente, confirme a medida até que o órgão competente do Supremo dê uma decisão definitiva sobre o caso.