SAÚDE


Recusa de familiares bloqueia 45% das doações de órgãos no Brasil no último ano

País atingiu 20,3 doadores por milhão de habitantes, enquanto fila de espera supera 80 mil pacientes

Foto: jcomp freepik

Cerca de 45% das famílias de pacientes aptos à doação de órgãos no Brasil recusaram o procedimento em 2025. O dado integra o levantamento do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

A pesquisa entrevistou mais de 8 mil familiares e contabilizou 4.200 negativas de autorização. Dos 15.940 potenciais doadores registrados no período, apenas 4.335 tornaram-se doadores efetivos.

Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 80 mil pacientes aguardavam por um transplante no ano passado. A taxa brasileira alcançou 20,3 doadores por milhão de habitantes em 2025, ante 19,2 registrados em 2024.

O índice nacional permanece abaixo do verificado na Espanha, que contabilizou 51,9 doadores efetivos por milhão de habitantes no mesmo ano. O indicador espanhol é cerca de 2,6 vezes maior que o do Brasil, com 2.547 doadores falecidos e 6.335 transplantes realizados.

Pela legislação brasileira, o processo de transplante exige autorização familiar em entrevista com profissionais da saúde. A etapa demanda preparo técnico dos especialistas para a condução de situações sensíveis.

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) capacitou 2.534 profissionais entre setembro de 2025 e agosto de 2026. O resultado superou em 25% a meta inicial da entidade.

O presidente da Amib, Cristiano Franke, destacou a importância da formação na linha de frente: “Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico a quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. O diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família”.