JUSTIÇA


Ministro propõe fim da atuação de delegados da Polícia Federal nos gabinetes do STF

Medida levada ao presidente da Corte busca conter atritos entre magistrados e a corporação em meio a investigações sobre fraudes financeiras e políticas

Foto: Divulgação/IDP

O ministro do Supremo tribunal Federal, Gilmar Mendes, sugeriu ao presidente da Corte, Edson Fanchin, a proibição de permanência de delegados da Polícia Federal nos gabinetes dos magistrados. A iniciativa visa evitar interferências no andamento dos inquéritos e afastar o tribunal de sucessivas crises institucionais.

Atualmente, seis investigadores exercem funções na estrutura do tribunal. Os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes e Luiz Fux abrigam dois policiais cada um em suas respectivas equipes.

A proposta do ministro ganhou força durante o desgaste provocado pelo caso Master. O relator do processo, ministro André Mendonça, retirou sigilo de um relatório policial com mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes.

Vorcaro está preso desde março sob a acusação de fraude financeira bilionária. Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da primeira prisão, o investigado escreveu a Moraes: “Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”.

A mensagem cita o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O trecho divulgado ampliou as divergências entre o Judiciário e a cúpula policial.

O diretor-geral da Polícia Federal manifestou insatisfação com a divulgação das conversas entre Vorcaro e Moraes e classificou a atitude de Mendonça como “abuso de poder”. A corporação alega interferência na condução das apurações.

O descontentamento da Polícia Federal manifestou insatisfação com a divulgação das conversas entre Vorcaro e Moraes e classificou a atitude de Mendonça como “abuso de poder”. A corporação alega interferência na condução das apurações.

Em contrapartida, integrantes do gabinete de Mendonça relatam morosidade da corporação no cumprimento de diligências. O relator concentra investigações sobre fraudes nos descontos do INSS e dois inquéritos sobre Fábio Luís Lula da Silva, relativos ao Banco Master e ao financiamento do filme “Dark Horse”.