POLÍTICA


Delegação parlamentar argentina viaja a Brasília para conter crise diplomática com o Brasil

Deputado Nicolás Massot afirma que ataques de Javier Milei a Lula representam posição minoritária

Foto: Gustavo Molfino Giannetti/Câmara dos Deputados da Argentina

Uma delegação com dez deputados argentinos desembarca em Brasília nesta terça-feira (1) para agendas estratégicas com autoridades brasileiras. O grupo busca atenuar o desgaste diplomático decorrente das declarações do presidente Javier Milei contra o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

A comitiva do país vizinho prevê encontros na quarta-feira (2) com o ministro das Relações Internacionais, José Guimarães, e com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD). Reunião no Itamaraty também integra a pauta dos parlamentares.

Líder da comitiva, o deputado Nicolás Massot rechaça a postura da Casa Rosada. “Iremos a Brasília para deixar bem claro que uma grande maioria da representação política da Argentina discorda totalmente dessa situação e repudia as declarações de Milei”, declarou Massot.

O parlamentar reforça a intenção de restabelecer o diálogo entre os países. “Buscamos, com esta visita, um desagravo ao povo e ao governo brasileiro e uma ratificação do caráter estratégico e transcendental que a relação com o Brasil tem para a grande maioria dos argentinos”, completou.

O atrito oficial entre os países escalou no final de julho após ofensas verbais de Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A crise resultou no rebaixamento das relações diplomáticas e no recolhimento dos embaixadores de ambos os lados.

Para Massot, o retorno dos diplomatas aos seus postos é a medida “mais urgente e o mais importante” no momento. Há poucos dias, Milei voltou a acusar o governo brasileiro, sem provas, de interferência eleitoral regional e de envolvimento em campanha contra a Argentina.

A falta de alinhamento afeta negociações comerciais e parcerias no Mercosul. O deputado argentino destacou que “hoje o peso regional do Brasil é muito maior que o da Argentina”, o que exige pragmatismo por parte de Buenos Aires.

O parlamentar recordou que a Argentina recorreu ao fornecimento de gás brasileiro em 2024 e à diplomacia do Brasil em Caracas para proteção de sua embaixada. “Não há mais espaço para continuarmos com isso, independentemente de quem vencer no Brasil”, concluiu o parlamentar sobre a necessidade de conciliação.