JUSTIÇA


PF diz que Moraes editou contrato de R$ 131 milhões de Vorcaro com escritório de esposa

Banca de Viviane Barci de Moraes afirma que setor de compliance solicitou informações ao ministro

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

 

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), fez edições em contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master, de Daniel Vorcaro, antes de o documento ser assinado.

As informações constam em análise da Polícia Federal sobre metadados de documento do contrato que estava no celular do ex-banqueiro, segundo reportagens do jornal O Estado de S. Paulo da Folha de S. Paulo.

Em nota, o escritório Barci de Moraes diz que, “em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master ao [escritório] Barci de Moraes, o setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório”.

O texto acrescenta que tais informações tratavam de “eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente”.

“Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados”, diz o escritório.

O escritório de Viviane já tinha admitido ter ter mantido um contrato com o Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, mês em que houve a liquidação do banco —o que equivale a 11 meses de serviços prestados em cada um dos anos.

No começo desta semana, o ministro André Mendonça, relator do inquérito do Master no Supremo, pediu que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre um documento da Polícia Federal no qual há mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor a atuação de “Andrei e Paulo” a seu favor.

De acordo com a Folha, a pessoa para quem tinha sido enviada essa mensagem não havia sido identificada inicialmente, mas a PF aponta suspeita que o interlocutor seja Moraes.

As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, o procurador-geral da República.