JUSTIÇA


Kassio Nunes marca julgamento sobre uso de avatares de inteligência artificial nas eleições

Corte Eleitoral vai analisar regras sobre conteúdos gerados por IA após vídeo exibido por Flávio Bolsonaro durante convenção do PL

Foto: Luiz Roberto/TSE

 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para a próxima terça-feira (1º) o julgamento que poderá definir os limites para o uso de avatares e conteúdos produzidos por inteligência artificial nas eleições de 2026. A ação será analisada pelo plenário da Corte, presidida pelo ministro Kassio Nunes Marques.

O caso ganhou destaque após o senador Flávio Bolsonaro (PL), durante a convenção que oficializou sua candidatura à Presidência, exibir um vídeo produzido com inteligência artificial no qual seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, aparece transmitindo uma mensagem.

As atuais resoluções do TSE proíbem o uso de deepfake para beneficiar ou prejudicar candidaturas. A regra trata de conteúdos sintéticos em áudio, vídeo ou na combinação dos dois, produzidos ou modificados digitalmente para criar, substituir ou alterar a imagem ou a voz de uma pessoa, viva, falecida ou fictícia. A norma, no entanto, não detalha todas as situações que podem ser enquadradas na proibição.

O tema chegou à Corte Eleitoral após um recurso apresentado pelo PT, que questiona o conteúdo utilizado na convenção do PL. O partido busca esclarecer como a legislação deve ser aplicada diante do avanço das ferramentas de inteligência artificial durante a campanha.

Além do caso envolvendo Flávio Bolsonaro, o TSE também deverá analisar outra situação relacionada ao uso de recursos audiovisuais em pesquisas eleitorais.

Um levantamento apontou queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro. Após os entrevistados responderem às perguntas, porém, o instituto responsável pela pesquisa reproduziu um áudio com um diálogo em que o senador pede dinheiro a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo Flávio, os recursos seriam destinados à produção do filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro.

No fim do mês passado, a defesa de Flávio Bolsonaro afirmou ao TSE que o vídeo produzido por inteligência artificial e exibido na convenção não configurava um pedido explícito de voto. Na peça, o ex-presidente Jair Bolsonaro aparece virtualmente fazendo um pronunciamento.