JUSTIÇA


AGU aciona Justiça Federal e pede R$ 500 milhões ao Discord por falhas de segurança

Ação civil pública exige adequação da plataforma às leis brasileiras após recusa de acordo para proteção dos usuários menores de idade

Foto: Reprodução/Redes sociais

A Advocacia-Geral da União (AGU) ingressou com uma ação civil pública na Justiça Federal do Distrito Federal nesta quarta-feira (26) contra a rede social Discord. O órgão cobra R$ 500 milhões m indenização por danos morais coletivos e a adoção de medias de segurança para crianças, adolescentes e mulheres.

A medida judicial ocorreu após o encerramento das negociações de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o governo brasileiro e representantes da empresa na segunda-feira 924). A plataforma recusou o compromisso de adequação às regras legais do país.

De acordo com o advogado-geral da União, Jorge Messias, a recusa motivou ao acionamento do Judiciário sob orientação da Presidência da República. “A empresa, ao cabo da reunião que nós tivemos na última segunda-feira, se negou a assumir perante a sociedade brasileira e perante o Estado brasileiro o cumprimento de obrigações legais”, declarou.

Messias classificou a situação atual como insustentável em virtude das falhas de segurança verificadas na rede. “Nós demonstramos que esta plataforma tem permitido, a partir do que chamamos de proteção insuficiente a mulheres, crianças e adolescentes, a prática de uma série de violações legais frente ao ordenamento jurídico brasileiro”, afirmou o ministro.

O pedido da AGU inclui medidas cautelares para o cumprimento do Estatuto da criança e do Adolescente Digital e do Marco Civil da Internet. A petição não solicita a suspensão temporária nem a proibição dos serviços do aplicativo no Brasil.

As investigações sobre a morte de uma adolescente de 13 anos em Mato grosso do Sul motivaram a fiscalização sobre a rede. A polícia apura o incentivo ao suicídio durante transmissão na plataforma, com a identificação de suspeitos menores de idade.

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo do serviço no país em 12 de agosto. Operações das polícias civis e da Polícia Federal identificaram casos de automutilação, auxílio ao suicídio e crueldade contra animais no ambiente virtual.

O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, destacou a cooperação entre o Ministério Público Federal, órgãos estaduais e forças policiais. “Qualquer plataforma nacional ou estrangeira não pode descuidar dos limites impostos pela lei”, disse o ministro.