ECONOMIA


ANS autoriza Hapvida a renegociar contratos de 947 mil beneficiários

Agência reguladora manterá fiscalização preventiva sobre a operadora; revisão atinge clientes de menor rentabilidade e inadimplentes

Foto: Divulgação

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) liberou nesta sexta-feira (21) as negociações de reajustes de contratos da Hapvida referentes a 947 mil beneficiários. O órgão regulador havia suspenso a medida na quinta-feira (20) após a empresa anunciar a revisão de contratos com rentabilidade inadequada ou histórico de inadimplência.

Apesar da liberação, a agência governamental informou que manterá fiscalização preventiva sobre as decisões da operadora. Os contratos afetados correspondem a 11% da carteira de saúde da Hapvida, segundo o diretor de relações com investidores, Felipe Nobre Barbosa.

As renegociações ocorrerão de forma individual nos próximos 12 meses, nas respectivas datas de aniversário dos contratos. A medida abrange clientes com rentabilidade inadequada ou histórico de inadimplência.

A operadora destacou a conformidade das ações com as regras do setor. “A renegociação dos contratos coletivos observa os dispositivos dos próprios contratos e as normas da ANS, inclusive prazos de vigência e aviso prévio”, afirmou a companhia em nota.

A Hapvida também ressaltou a autonomia do cliente na aceitação das novas propostas. “A companhia propõe ao contratante as condições necessárias ao reequilíbrio do contrato, mas a decisão de aceitá-las é do cliente.”

A empresa informou que tomou conhecimento da suspensão cautelar pela imprensa e solicitou audiência para apresentar fundamentação técnica à ANS. No relatório do segundo trimestre, a operadora indicou que o ticket médio do grupo de 947 mil beneficiários representa cerca de metade da média consolidada da área de saúde.

No mesmo trimestre, a companhia registrou redução líquida de 16 mil clientes, dos quais 9.000 pertenciam a contratos reavaliados. O anúncio provocou recuo de 33% nas ações da Hapvida em 13 de agosto, quando os papéis atingiram R$ 6,41, o menor valor nominal desde a estreia na Bolsa em 2018.

O Ebitda ajustado da operadora totalizou R$ 504,4 milhões no segundo trimestre, o que representa queda de 44,3% na comparação anual. O lucro líquido ajustado alcançou R$ 12,5 milhões, valor 95,8% inferior ao registrado no período anterior.