BAHIA


No CONAMP Mulher, Raquel Dodge usa heroínas baianas da independência como modelos para MP

Ex-procuradora-geral da República presidiu painel junto com historiador e alertou que "igualdade legislada ainda não é igualdade vivida" no Brasil

Foto: Assessoria

 

A força e o pioneirismo das heroínas da Independência do Brasil na Bahia abriram a programação do último dia do 3° CONAMP Mulher, nesta sexta-feira (21), no Trapiche Barnabé, em Salvador.

Conduzida pelo historiador Ricardo Carvalho, a palestra “Reflexos das Heroínas da Independência Baiana na Cultura Feminina Atual” conectou o simbolismo histórico de Joana Angélica, Maria Felipa e Maria Quitéria aos desafios contemporâneos enfrentados pelas mulheres no acesso e na manutenção de espaços de poder.

Ao presidir a mesa, a ex-procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enfatizou que o legado das líderes abordadas deve servir de diretriz pragmática para a atuação institucional do sistema de justiça na atualidade.

“Não é apenas uma questão de ocupar espaços de poder e de decisão. O que faremos quando estivermos nessas posições em favor das mulheres que hoje são agredidas, das meninas violentadas e daquelas que têm medo de transitar na rua ou voltar para casa, onde ocorre a maioria dos feminicídios? Tivemos um grande avanço normativo, mas a igualdade legislada não é a igualdade vivida. As mulheres continuam oprimidas e violentadas’, afirmou Dodge.

“No Ministério Público, nosso papel é absolutamente relevante. Se aquelas heroínas souberam o que fazer sem dispor dos instrumentos jurídicos que temos hoje, a lição que fica é que precisamos da mesma coragem e discernimento para agir”, completou.

A programação contou com a apresentação cultural do projeto “Rei e Rainha Azeviche”, uma iniciativa da Escola Municipal Cônsul Schindler, em Salvador. Criado pela professora de história Cláudia Maria Torres Mattos, o projeto combate o racismo e fortalece a autoestima de estudantes negros por meio de oficinas, desfiles e estudos sobre a cultura afro-brasileira.

Além disso, cerca de 30 estudantes da Escola Municipal Suzana Imbassahy, localizada em Macaúbas, acompanharam os debates do painel como forma de incentivo ao conhecimento histórico e ao fortalecimento da cidadania de futuras gerações.

A mesa de debates foi composta pelas promotoras de Justiça Ana Maria Magalhães de Carvalho (MP-PA), Márcia Regina dos Santos Virgens (MPBA) e Marly Barreto de Andrade (MPBA), além da procuradora-geral do município de Salvador, Isabela Manso Cabral.

O 3º CONAMP Mulher é realizado pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP) e pela Associação do Ministério Público da Bahia (AMPEB), com apoio institucional do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA).

O evento conta com a parceria estratégica da Bahia Turismo, Prefeitura de Salvador, Governo do Estado da Bahia, Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG), Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), Future Climate Group, Instituto Trata Brasil e Jusprev.

O patrocínio é assinado por Aegea, Dígitro, Grupo TechBiz, Ecora, BYD, FIEB, Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM), Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR) e Banco do Brasil.