POLÍTICA


UFBA vai acionar a PF após tumulto envolvendo deputado Diego Castro e cobra resposta da Alba

Expectativa da instituição é que o Conselho de Ética abra por quebra de decoro parlamentar, o que poderá culminar com a perda do mandato

Imagem: Reprodução/Redes sociais

 

A direção da UFBA (Universidade Federal da Bahia) informou que vai acionar a Polícia Federal após a confusão envolvendo o deputado estadual Diego Castro (PL), na manhã de quinta-feira (21), e que terminou em troca de agressões entre assessores do parlamentar e estudantes da Faculdade de Comunicação, no bairro de Ondina, em Salvador. A instituição também pediu urgência à Assembleia Legislativa da Bahia para tomar as devidas providências diante da “conduta indecorosa” do deputado.

Tanto a UFBA quanto Diego Castro registraram boletim de ocorrência na Polícia Civil, que vai apurar o caso.

Em nota, a universidade disse que o estudante Tobias Muniz, presidente do Centro Acadêmico da Facom, ficou ferido e realizou exame de corpo de delito. O diretor da Faculdade de Comunicação, professor Washington Souza, foi alvo de agressões verbais.

A corporação informou à reportagem que A 7ª DT (Delegacia Territorial) do Rio Vermelho apura os crimes de injúria contra o e lesão corporal culposa, respectivamente.

Segundo relatos de estudantes, o deputado proferiu xingamentos e palavras transfóbicas enquanto recolhia material de campanha do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do presidente Lula em um dos banheiros femininos do campus.

Diego Castro, por sua vez, disse ter ido ao local para questionar o uso da universidade para divulgação de material político-eleitoral. Vídeos mostram o parlamentar sendo empurrado durante a confusão. Em seguida, um dos seguranças do deputado também empurra um estudante contra a parede.

Por meio de sua assessoria, o deputado disse que sua equipe reagiu após ser agredida no episódio que chamou de “situação lamentável”.

No comunicado, a UFBA afirmou repudiar atos de violência protagonizados pelo deputado e seus assessores e informou que todos os atos foram registrados por câmeras da instituição e por celulares de membros da comunidade acadêmica.

O texto da universidade diz que a ação do parlamentar e de sua equipe perturbou, de forma truculenta, a rotina acadêmica da universidade, o que interrompeu uma cerimônia de recepção aos calouros. “A naturalização da violência, com fins políticos, não pode ser admitida.”

A UFBA também manifestou solidariedade aos membros da comunidade universitária envolvidos, ao estudante ferido e ao diretor Washington Souza, “que, no exercício de suas atribuições, buscou preservar a segurança e o funcionamento da unidade”.

“A administração central da UFBA está atuante no caso e saberá adotar as medidas institucionais e jurídicas cabíveis para a proteção de sua comunidade acadêmica e para o respeito de uma universidade pública, cujos valores essenciais rejeitam toda forma de violência, sobretudo de quem, por oportunismo político e à custa da instituição, pretenda buscar projeção em redes sociais.”

A expectativa da instituição é que o Conselho de Ética da Alba abra um processo contra Diego Castro por quebra de decoro parlamentar, o que poderá culminar com a perda do mandato.