POLÍTICA


Medidas de reciprocidade comercial contra os EUA podem ficar para 2027

Rito burocrático impede conclusão do processo antes de dezembro; governo busca negociação prévia com norte-americanos

Foto: Canva Imagens

Uma eventual decisão de impor medidas de reciprocidade sobre os Estados Unidos poderá ficar para o próximo governo. A declaração foi feita nesta quarta-feira (19) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, em entrevista a jornalistas.

De acordo com o ministro, o protocolo para a aplicação da reciprocidade segue um rito com pouca probabilidade de conclusão antes de dezembro deste ano. No momento, o governo realiza consultas internas em uma série de ministérios sobre o efeito das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Márcio Rosa ressaltou a expectativa de um acordo antes do encerramento do ano. “Acho que não terá tempo para terminar antes de dezembro nenhum processo de reciprocidade, mas a minha expectativa é que a gente consiga negociar e resolver, ou pelo menos aplacar minimamente as questões dos Estados Unidos, antes do final do ano”, afirmou.

A partir de julho, o país norte-americano impôs novas tarifas sobre parte das exportações brasileiras, com taxas de até 37,5% para alguns produtos. A medida teve como alegação práticas comerciais injustas e legislação fraca para o combate ao trabalho forçado, entre outras questões.

Em agosto, o governo brasileiro informou o início do processo de reciprocidade em relação às tarifas. A ação atinge cerca de 2 mil produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos.

Mais cedo nesta quarta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ter esperança de que o governo possa avançar no diálogo com os Estados Unidos após as eleições presidenciais de outubro.

Rosa, no entanto, afirmou que as negociações tarifárias não estão atreladas ao período eleitoral, ao menos do lado brasileiro.