ECONOMIA


Ibovespa registra pior sequência de perdas desde 2023

Depois de alcançar máximas históricas, principal índice da Bolsa brasileira acumulou 11 pregões seguidos de queda; Principal foi retirada de recursos por investidores estrangeiros

Foto: Reprodução/Freepik

 

Depois de meses renovando recordes históricos, a bolsa de valores brasileira mudou completamente de direção. Nesta terça-feira (18), o Ibovespa, principal índice da B3, fechou em queda pela 11ª sessão consecutiva, registrando a maior sequência de perdas desde 2023. Nesta terça-feira (18), o Ibovespa, principal índice da B3, fechou em queda pela 11ª sessão consecutiva, registrando a maior sequência de perdas desde 2023.

Somente neste mês, o índice acumula queda de 6,55%, o que coloca a bolsa brasileira como a segunda pior entre os 21 principais mercados acionários acompanhados pela consultoria Elos Ayta.

A mudança foi causada por uma série de fatores. A combinação entre a saída recorde de investidores estrangeiros, as dúvidas sobre o ritmo de queda dos juros, as incertezas fiscais e eleitorais, e o agravamento do cenário geopolítico levou muitos investidores a reduzir suas apostas no Brasil.

O principal gatilho para essa sequência de perdas foi a retirada de recursos por investidores estrangeiros. Até 13 de agosto, investidores estrangeiros retiraram R$15,63 bilhões da bolsa brasileira. É a maior saída mensal desde 2022. O recorde anterior havia sido registrado apenas três meses antes, em maio, quando o fluxo negativo somou R$13,28 bilhões. Com isso, 2026 já concentra as duas maiores retiradas mensais de capital estrangeiro da série histórica.

O movimento contrasta com o observado no início do ano. Entre janeiro e fevereiro, investidores estrangeiros aplicaram R$42,56 bilhões na bolsa brasileira, um dos maiores volumes registrados na última década. Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus ouvido pelo g1, esse cenário começou a mudar quando os investidores perceberam que os cortes na Selic seriam menos intensos do que o esperado.

“O mercado esperava um ciclo mais intenso de cortes na Selic, mas essa expectativa diminuiu por causa do conflito no Oriente Médio e das incertezas em relação à inflação. Com isso, muitos investidores revisaram suas apostas e reduziram a exposição ao Brasil”, afirma.

No início do ano, parte do mercado acreditava que o Banco Central do Brasil (BC) teria espaço para reduzir os juros de forma mais intensa ao longo de 2026. Com a inflação demorando mais para recuar, o agravamento dos conflitos no Oriente Médio e as preocupações com as contas públicas, o mercado passou a acreditar que os juros permaneceriam elevados por mais tempo.

Na avaliação dos analistas, a preocupação com a eleição presidencial de outubro também passou a influenciar as expectativas do mercado. Isso porque a situação das contas públicas e o plano dos candidatos para o ano que vem interferem diretamente nas decisões do BC sobre a taxa Selic.

Além disso, o mercado acompanha as pesquisas eleitorais para tentar antecipar os rumos da política econômica a partir de 2027. Propostas que sinalizem maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas tendem a melhorar a percepção de risco do país e favorecer o retorno do capital estrangeiro.

No entanto, a queda da bolsa não afeta todas as empresas da mesma forma. Os setores mais ligados ao consumo interno costumam sentir com mais intensidade os efeitos dos juros elevados, da desaceleração da economia e do aumento da inadimplência. Já as empresas exportadoras, que faturam em dólar ou dependem menos da atividade econômica brasileira, tendem a enfrentar melhor os períodos de turbulência.