POLÍTICA


Lula rebate tarifas dos EUA e afirma que vai superar país na narrativa política

Chefe do Executivo refuta justificativas sobre meio ambiente e trabalho aplicadas pelo governo de Donald Trump

Foto: Feijão Almeida/GOVBA

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta sexta-feira (14), em Brasília, que pretende superar os Estados Unidos no campo da narrativa política. A declaração ocorre após o governo norte-americano, liderado por Donald Trump, impor tarifas comerciais ao Brasil.

Em entrevista conjunta aos podcasts “Não Inviabilize” e “As Cunhãs”, realizada no Palácio da Alvorada, o chefe do Executivo brasileiro classificou a taxação como produto de alegações infundadas. “O que eu tenho? A verdade. A minha consciência e a verdade do meu povo. Eu já disse, com mentiras ninguém ganha do Brasil. E eu vou vencer os Estados Unidos pela narrativa. Eles taxaram o Brasil com base em mentiras”, afirmou o presidente.

Resposta institucional e justificativas

A reação do governo brasileiro iniciou na quinta-feira (13), por meio da implementação da Lei de Reciprocidade Econômica. Em vigor desde 2025, a legislação autoriza o país a responder proporcionalmente a sanções aplicadas por nações ou blocos econômicos que afetem a economia nacional ou violem a soberania do Estado.

Segundo o Palácio do Planalto, a Casa Branca fundamentou as tarifas em acusações de que o Brasil comercializaria mercadorias associadas ao trabalho análogo à escravidão e não combatia o desmatamento. Lula sustentou que possui argumentação para refutar o discurso estadunidense.

Diálogo diplomático e limites institucionais

Apesar da situação, o presidente manifestou interesse em estabelecer contato direto com Donald Trump, ao descrever a relação entre ambos como pautada pelo respeito mútuo. Na avaliação de Lula, as duas principais democracias do continente americano devem preservar a relação institucional.

Lula também pediu que o governo dos Estados Unidos evite interrupções em processos políticos internos do Brasil. “Eu nunca me meti nas eleições deles. Por que ele vai se meter aqui?”, questionou, ao destacar que sua gestão prioriza o debate sério e rejeita conflitos.