POLÍTICA


‘Maior absurdo é Janja se envolver nisso’, diz Cezar Leite sobre o Discord

Primeira-dama gerou repercussão após se posicionar a favor do banimento da plataforma no Brasil; vereador defende foco na punição de criminosos

Foto: Diretoria de Comunicação da Câmara Municipal de Salvador | Foto: Reprodução/Internet

O vereador de Salvador Cezar Leite (PL) manifestou-se contra o banimento do aplicativo Discord no Brasil. O posicionamento alinha-se às críticas de lideranças da oposição, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), após declarações da primeira-dama Janja Lula da Silva a favor do bloqueio da rede.

A discussão ganhou repercussão nacional após a primeira-dama defender publicamente a suspensão da plataforma. O posicionamento gerou reações de parlamentares e internautas, que criticaram as restrições a ferramentas consideradas as principais do Discord e defenderam a punição direcionada aos autores dos crimes.

Para o vereador soteropolitano, a responsabilidade de atos ilícitos não deve recair sobre os meios de comunicação. “Impedir ou banir um instrumento de comunicação nunca será a melhor forma, porque o problema está no criminoso e suas motivações e não no instrumento”, declarou Cezar.

Ele também comparou o uso da plataforma ao acesso a armas de fogo. “Quem mata é sempre uma pessoa, a pistola é o instrumento. Se ele não tiver uma pistola vai buscar outra arma”, completou.

Cezar Leite criticou também a manifestação da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva — conhecida como Janja —, que se demonstrou favorável ao bloqueio do Discord.  “Maior absurdo é a Janja que não tem função executiva nenhuma querer se envolver nisso”, pontuou o vereador. “Investigar e ver o que pode fazer para reduzir esse tipo de ocorrência é o que importa, e não o banimento”, concluiu.

Juridicamente, o posto de primeira-dama possui caráter simbólico e não concede atribuições no Poder Executivo. As decisões sobre regulação de plataformas cabe a órgãos técnicos, como a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que atua com base na legislação vigente e no ECA Digital.

O vereador também abordou a responsabilidade familiar na supervisão do acesso de menores à internet. “É claro que como pai temos sempre o receio sobre o que nossos filhos estão acessando nas redes sociais, uma boa conversa e estar junto dos filhos sempre será a melhor solução”, registrou.

A ANPD determinou a suspensão cautelar do recurso de transmissões ao vivo (Go Live) na plataforma após análises de riscos a menores. A Advocacia-Geral da União (AGU) acompanha o caso em tratativas sobre compromissos de segurança com a empresa.