POLÍTICA


Capitão Alden e Jerônimo Rodrigues contrapõem dados e ações sobre a segurança na Bahia

Governador detalha concursos, frotas e falta de articulação federativa; deputado cita histórico de 100 mil homicídios em 20 anos para cobrar resultados e suporte a policiais.

Foto Alden: Assessoria | Foto Jerônimo: Erickson Araujo/Assessoria

Em entrevista à rádio BandNews FM, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), defendeu a expansão de investimentos em segurança pública no estado e cobrou maior apoio do governo federal. Em resposta, o deputado federal Capitão Alden (PL-BA) citou estatísticas de mortes violentas e a presença de 22 facções criminosas na Bahia para contestar a eficácia dos recursos aplicados.

Jerônimo Rodrigues detalhou ações da gestão estadual, como a realização de concursos para as polícias Civil, Militar e Penal, compra de viaturas e armamentos, reforma de delegacias, reajustes remuneratórios e operações de inteligência voltadas ao bloqueio financeiro de organizações criminosas. O governador sustentou ainda que a estratégia combina o policiamento com investimentos em educação, cultura, esporte e assistência social em territórios vulneráveis.

“Não admito que possam utilizar esse tema da segurança pública para fins eleitorais. Esse tema não é de esquerda ou de direita. É um desafio que nós haveremos de superar com a mão forte do Estado e amparo às comunidades”, afirmou o governador.

Ao rebater as declarações, Capitão Alden afirmou que anúncios de compras e obras são obrigações de gestão, e defendeu que a avaliação da gestão deve focar na variação dos índices criminais. O parlamentar citou estatísticas acumuladas no estado ao longo de quase duas décadas, incluindo mais de 100 mil assassinatos, 40 mil pessoas baleadas e mais de 300 policiais mortos.

“O problema não é anunciar investimentos. Todo governo investe em viaturas, equipamentos e tecnologia. A pergunta é: qual foi o resultado desses investimentos?”, questionou Alden. “Segurança pública não se mede pelo número de viaturas entregues nem pelo valor anunciado em investimentos. Mede-se pelo número de vidas preservadas, pela redução dos homicídios, pela recuperação de territórios dominados pelo crime e pela sensação de segurança da população”.

No âmbito federativo, o governador informou que apresentará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva propostas para o fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e para a intensificação do controle de armas e drogas nas fronteiras do país . O encontro está agendado para o próximo sábado (1).
Capitão Alden concordou que o controle de divisas e a inteligência internacional cabem à União, mas defendeu que o patrulhamento ostensivo diário e a retomada de territórios são atribuições constitucionais do Executivo estadual. O deputado cobrou também a implementação de programas estaduais de saúde mental para a tropa, apoio jurídico a agentes, assistência às famílias de policiais mortos e reestruturação das carreiras.