ECONOMIA


Brasil se torna maior importador mundial de carros chineses

Compras chegaram a US$5,2 bilhões entre janeiro e maio, alta de 146,9% em relação ao mesmo período de 2025

Foto: Assessoria/BYD

 

Pela primeira vez, o Brasil assumiu a liderança global em importações de carros chineses. Entre janeiro e maio de 2026, as compras à vista somam US$5,2 bilhões, um aumento de 146,9% em relação aos US$2,1 bilhões do mesmo período de 2025.

O país ultrapassa a Rússia, com US$5 bilhões, e a Bélgica, com US$3,8 bilhões. O avanço ocorre em meio à estratégia chinesa de expandir as vendas externas devido à redução da demanda interna.

Em junho, as exportações totais da China aumentaram 27%, enquanto as remessas de veículos avançaram 71,2%, para 1,06 milhão de unidades. A BYD, sozinha, exportou 175 mil carros, um aumento de 95%, com o mercado externo representando 43% de sua produção.

O Brasil ganhou importância como destino para excedentes também por razões geopolíticas e comerciais. Os países desenvolvidos aumentarão as barreiras à entrada de veículos elétricos chineses, provocando um desvio do comércio para o mercado brasileiro, considerado relativamente mais aberto.

A ofensiva é liderada pelos veículos elétricos, que responderão por US$4,5 bilhões em importações brasileiras nos primeiros cinco meses do ano. Essa mudança não será mais visível no balanço do setor automotivo.

No primeiro semestre, o Brasil registrou um déficit recorde de US$5,32 bilhões na comercialização de veículos, enquanto as importações atingiram US$7,79 bilhões.

A participação chinesa nas compras externas brasileiras saltou de 5% em 2021 para 72% em 2025. Com a tarifa de importação agora em 35% e as montadoras chinesas avançando com a produção local, a tendência é que parte do fluxo migre gradualmente das importações para a montagem e fabricação no Brasil.