ECONOMIA


Brasil atinge 80% da cota de carne bovina na China e fica perto de alíquota protecionista de 55%

Teto de salvaguarda estabelecido por Pequim está, na prática, esgotado com cargas em trânsito; Brasil busca redefinir cotas e diversificar compradores enquanto governo chinês reforça política de segurança alimentar.

Foto: Jaelson Lucas/Arquivo AEN

As exportações brasileiras de carne bovina para a China atingiram 80% do limite anual de salvaguarda fixado pelo governo chinês para este ano, acendendo o sinal de alerta no setor agroexportador nacional. Caso ultrapasse o teto estipulado de 1,1 milhão de toneladas em 2026, a proteína brasileira passará a ser tributada com uma tarifa protecionista de 55%. 

Na avaliação do setor agroexportador, o limite teto já foi atingido. O monitoramento oficial do Ministério do Comércio da China contabiliza apenas o produto desembarcado nos portos locais, desconsiderando grandes volumes já embarcados e em trânsito marítimo.

Em resposta ao aperto comercial, o Governo brasileiro solicitou às autoridades chinesas a redistribuição de cotas não utilizadas por outros países exportadores, pleito que foi negado até o momento.

O tema esteve em segundo plano nas recentes interlocuções de alto nível. Em telefonema no domingo (26), os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping debateram acordos bilaterais e a relação China-Mercosul, sem detalhar nos comunicados oficiais se a salvaguarda da carne foi tratada diretamente.

Questionado sobre as negociações, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, adotou um tom genérico: “A China está disposta a manter comunicação com todas as partes envolvidas, incluindo o Brasil, para ampliar uma cooperação econômica e comercial saudável e estável”.

A imposição de cotas reflete a estratégia do regime chinês de reforçar sua segurança alimentar por meio da diversificação de parceiros comerciais, reduzindo a dependência concentrada em relação a grandes fornecedores como o Brasil, responsável por parcela substancial da carne e soja consumidas no país asiático.

Diante do risco de sobretaxação, o Brasil intensificou a busca por compradores alternativos. Os Estados Unidos surgem como a principal opção de curto prazo, impulsionados pela menor oferta de rebanho local e demanda aquecida. No entanto, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) alerta que nenhum mercado global isolado possui escala para absorver o volume destinado à China.