ECONOMIA


Medidas do governo Lula somam ao menos R$ 256,9 bilhões em ano eleitoral

Levantamento inclui programas sociais e linhas de crédito; especialistas questionam impacto sobre a dívida pública

Foto: Ricardo Stuckert/PR

 

Os programas sociais, linhas de crédito e medidas extraordinárias lançados ou ampliados pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já somam ao menos R$ 256,9 bilhões em 2026, segundo levantamento do CNN Money. A maior parte dos recursos corresponde a despesas financeiras ou extraorçamentárias, que não entram no limite de gastos do arcabouço fiscal nem no cálculo do resultado primário.

Entre as principais iniciativas estão a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (R$ 31 bilhões), o programa MOVE Motoristas (R$ 30 bilhões), o crédito consignado privado (R$ 22,9 bilhões), o novo modelo de crédito imobiliário (R$ 22,3 bilhões), o MOVE Brasil (R$ 21,2 bilhões), o pacote de R$ 16 bilhões para conter o preço dos combustíveis e R$ 15 bilhões em crédito a exportadores afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos. O levantamento também inclui programas como Gás do Povo, Luz do Povo, Minha Casa, Minha Vida, saques do FGTS e crédito rural.

Especialistas avaliam que, embora essas despesas não afetem diretamente a meta fiscal, os recursos poderiam ser destinados à redução da dívida pública. Para o diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, Marcus Pestana, o uso de despesas financeiras e extraorçamentárias enfraquece a credibilidade do arcabouço fiscal perante o mercado. “O investidor que compra título do Tesouro põe isso na conta, porque isso impacta na dívida”, afirmou.

O governo, por sua vez, defende que as medidas impulsionam emprego, renda e arrecadação. Segundo estudo da Secretaria-Executiva do Ministério do Planejamento e Orçamento, parte das iniciativas pode acrescentar cerca de R$ 110 bilhões ao PIB. A pasta afirma que todas possuem base legal, estão previstas no Orçamento e permanecem sujeitas aos mecanismos de transparência e controle, apesar de não impactarem o resultado primário.

A Fazenda não respondeu ao CNN Money sobre os efeitos das medidas de crédito em ano eleitoral e seu impacto sobre o cumprimento da meta fiscal.