ECONOMIA


EUA elevam tarifas sobre produtos brasileiros para até 37,5% a partir desta sexta (24)

Nova sobretaxa de 12,5% se soma à tarifa de 25% para cerca de 3 mil produtos; governo Lula promete retaliar e recorrer à OMC

Foto: Jean Vagner/Ascom SEI

 

Os Estados Unidos passaram a aplicar, nesta sexta-feira (24), uma nova sobretaxa de 12,5% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros. Para a maior parte dos itens atingidos, a cobrança se soma à tarifa adicional de 25% anunciada na semana passada, elevando a tributação para até 37,5% e colocando o Brasil entre os parceiros comerciais mais sobretaxados pelos norte-americanos.

Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a nova medida alcança produtos que somam US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos Estados Unidos. Desse total, 85,3% — cerca de US$ 10,7 bilhões — passam a acumular as duas sobretaxas. Etanol, calçados, móveis de madeira, máquinas agrícolas, transformadores elétricos, vestuário, pisos, rochas ornamentais e equipamentos eletrônicos estão entre os itens afetados.

As tarifas foram impostas no âmbito de duas investigações conduzidas com base na Seção 301 do Trade Act de 1974. Uma delas acusa o Brasil de não combater adequadamente o trabalho forçado em determinadas cadeias produtivas; a outra trata de supostas práticas comerciais desleais e do desmatamento. Produtos considerados estratégicos para a economia norte-americana, como aeronaves, aço e alumínio já tributados, além de alguns itens agrícolas, ficaram de fora das novas cobranças.

Os efeitos das medidas já aparecem nas exportações brasileiras. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que 20 dos 27 estados registraram queda nas vendas aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, enquanto as exportações ao mercado norte-americano recuaram 13% desde março de 2025, o equivalente a US$ 2,6 bilhões.

Em resposta à nova sobretaxa, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que iniciará imediatamente os procedimentos para aplicar a Lei da Reciprocidade e pretende levar o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em nota, o Palácio do Planalto acusou os Estados Unidos de utilizar o tema do trabalho forçado para justificar uma política comercial protecionista.