POLÍTICA


PF vê indícios de participação da Presidência da Câmara em esquema de desvios de emendas

Decisão de Flávio Dino determina que Hugo Motta entregue documentos sobre a tramitação das emendas investigadas

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

 

A Polícia Federal suspeita que a Presidência da Câmara dos Deputados deu aval para os desvios nas emendas parlamentares, que resultaram no bloqueio de R$ 119 milhões.

Segundo a corporação, a investigação aponta que a servidora da Casa, Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, teria “pleno aval” da presidência do Legislativo para “promover desvios de emendas” em favor do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (Republicanos-MG).

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões das contas de Cunha e de R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL).

“A sintonia entre a investigação ora propugnada e as investigações da Operação Transparência revelam intensa interlocução entre alguns dados e informações mais generalistas daquela investigação com o desvio específico. Tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas em favor de Eduardo Cunha, intensificando um altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto”, diz trecho da decisão.

O magistrado também determinou que o atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apresente em até dez dias os documentos de tramitação interna das emendas identificadas pela Polícia Federal, “de modo individualizado e organizado por emenda”.