ECONOMIA


Crédito cresce 330 vezes com fintechs, enquanto inadimplência avança

Expansão do crédito digital ocorre durante período de recorde de endividados e juros elevados

Foto: Pexels/Nicola Barts

 

O crédito concedido por fintechs no Brasil cresceu mais de 330 vezes em menos de uma década, passando de R$ 161 milhões em 2016 para R$ 53,8 bilhões em 2025. Segundo levantamento da PwC Brasil e da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), o volume avançou 51% apenas no último ano. A expansão ocorre em um cenário de juros básicos de 14,25% ao ano e de recorde de endividamento, com 83,5 milhões de brasileiros inadimplentes, segundo o Serasa. As informações são da revista Forbes.

Apesar do avanço, especialistas avaliam que o país ainda não enfrenta excesso de crédito. Para Roberto Troster, ex-economista-chefe da Febraban, a relação entre crédito e PIB segue baixa em comparação com a de países de renda semelhante. Na avaliação dele, o principal desafio está na qualidade da concessão e no risco de consumidores acumularem empréstimos em diferentes instituições sem uma avaliação adequada do nível de endividamento.

À medida que ganharam espaço, as fintechs também passaram a concentrar uma parcela maior do risco do mercado. Em 2025, a inadimplência média dessas empresas chegou a 10,1%, acima dos 3,5% registrados pelo sistema bancário tradicional, segundo o Banco Central. Em resposta, o setor reduziu a oferta de crédito sem garantia, que caiu de 60% das operações em 2019 para 14% neste ano, e ampliou modalidades consideradas mais seguras, como o consignado privado.

O crescimento das fintechs foi impulsionado pela digitalização dos serviços financeiros, pela popularização do Pix, pelo Open Finance e por mudanças regulatórias que facilitaram a entrada de novos concorrentes. Atualmente, essas empresas atendem 95 milhões de pessoas físicas e mais de 72 mil empresas em todo o país.

Entre os principais beneficiados pela expansão estão os pequenos negócios. Em 2025, a base de clientes empresariais das fintechs cresceu 30%, alcançando 72.249 empresas. Desse total, 91% são microempresas, segmento que historicamente enfrenta mais dificuldades para acessar crédito nos grandes bancos.