JUSTIÇA


Virginia induziu público a aposta improvável em jogo de Cabo Verde, diz MP

Ministério Público aponta que influenciadora teria usado linguagem emocional para induzir seguidores a apostarem na vitória da seleção africana

Foto: Instagram/ @virginia

 

O MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) apontou que a influenciadora Virginia Fonseca teria participado de um modelo “estruturado de captação de apostadores”, comandado pela plataforma de apostas Blaze, durante os jogos da Copa do Mundo deste ano.

Segundo o documento do MP, obtido pela CNN Brasil, Virginia teria adotado estratégias para captar os apostadores na partida entre Argentina e Cabo Verde. Na ocasião, a influenciadora teria estimulado o público a apostar na vitória da seleção africana.

Para o Ministério Público, além da aposta ser “de baixa probabilidade e alto retorno potencial”, a influenciadora ainda teria usado linguagem emocional para induzir os seguidores a apostarem. Nos vídeos divulgados por Virginia, a influenciadora afirmou que estava “esperançosa” com a vitória de Cabo Verde.

“Virginia operou sobre um viés cognitivo documentado, intensificando a percepção de atratividade de um resultado objetivamente improvável sem qualquer menção às probabilidades reais”, diz o documento.

Segundo o documento, além de Virginia, a plataforma Blaze também explorou uma “alta exposição emocional e o engajamento coletivo do torneio para induzir o consumo impulsivo”.

Nesta quinta-feira (8), o MP ajuizou uma ação que sustenta que a empresa de apostas usou estratégias de marketing capazes de induzir o público ao jogo por meio da promessa de ganhos fáceis, publicidade enganosa e uso de influenciadores digitais de grande alcance para estimular as apostas.

O Ministério Público pediu a condenação solidária da Blaze e da influenciadora ao pagamento de indenização por danos morais coletivos de R$120 milhões. Segundo a ação, o valor foi calculado com base em uma estimativa conservadora de que a Blaze movimentaria cerca de R$600 milhões por ano em receita bruta de jogos.

A investigação aponta que, enquanto simulava “esperança” no resultado da disputa entre as seleções, a influenciadora poderia receber 30% de comissão sobre as perdas de quem seguia as recomendações de aposta.