POLÍTICA


Zema propõe ‘privatizar tudo’ e diz que estatal serve para ‘fazer politicagem’

Pré-candidato à Presidência afirmou que pretende reduzir a presença do Estado na economia e criticou gastos públicos durante evento da CNC

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, afirmou nesta quarta-feira (8) que pretende ampliar as privatizações caso seja eleito e criticou a manutenção de empresas estatais.

“Vou privatizar tudo. Estatal é só para fazer politicagem”, declarou durante evento promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em Brasília.

Ao citar sua gestão em Minas Gerais, Zema afirmou que reduziu o número de estatais e classificou essas empresas como estruturas utilizadas para acomodar indicações políticas.

“Lá em Minas eram 118. Sobrou só uma, a Cemig. Era um cabide gigante de emprego. As empresas que foram bem administradas pelo setor privado decolaram”, disse.

Durante o encontro, o ex-governador também voltou a defender o que chamou de quatro pilares para impulsionar a economia brasileira. O primeiro deles seria um “choque moral”, com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao que considera pressões corporativas sobre os governos.

“O presidente vive sob chantagens e pressões corporativas. Minha vida já foi toda vasculhada e não encontraram nada. Mesmo assim, respondo a processo de Gilmar Mendes porque, segundo ele, não pode ser criticado”, afirmou.

O segundo ponto destacado por Zema foi o “fim da gastança pública”. Segundo ele, os elevados juros dificultam investimentos e prejudicam a atividade econômica.

“Com a Selic em 14,5%, o crédito chega a 20%. Isso quebra as empresas. Quem investiu está sofrendo, enquanto quem deixou dinheiro parado está ganhando”, afirmou.

O pré-candidato também defendeu uma nova reforma da Previdência, mudanças administrativas no setor público e a revisão de programas sociais.

Na área de segurança pública, Zema citou o modelo adotado por El Salvador no combate às organizações criminosas e defendeu penas mais rigorosas para integrantes de facções.

“O custo do crime no Brasil é muito baixo. Estamos punindo ou incentivando?”, questionou.

O evento reuniu empresários e representantes do setor de comércio e serviços. Na ocasião, a CNC entregou aos presidenciáveis um documento com propostas consideradas prioritárias para o segmento, incluindo reforma administrativa, regulamentação da reforma tributária, atualização do Simples Nacional, modernização da legislação trabalhista, ampliação do acesso ao crédito para micro e pequenas empresas e incentivos ao empreendedorismo.

Também foram convidados os pré-candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ronaldo Caiado (PSD). Flávio e Lula não compareceram, alegando compromissos de agenda.