POLÍTICA


ACM Neto nega relação com Vorcaro, mas admite ser amigo de Augusto Lima, o ‘Guga’

Ex-prefeito de Salvador recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag, suspeita de envolvimento com o crime organizado; ele reitera não ter cometido iregularidades

Foto: Jorge Jesus/MundoBA

 

O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) afirmou nesta quarta-feira (1º) ter conhecido Daniel Vorcaro por intermédio do empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do ex-banqueiro e a quem classificou como “amigo”. Segundo ele, à época em que recebeu R$ 3,6 milhões em contratos com o Banco Master e a gestora de recursos Reag, os contatos com Vorcaro se deram apenas em “caráter profissional” para prestação de serviços de consultoria.

Preso preventivamente pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero em novembro do ano passado, Augusto Lima tem um histórico associado às fraudes envolvendo o Master.

“No meu caso, eu conheci Daniel a partir de Augusto Lima, sócio dele, Guga, que é meu amigo já de muito tempo. A partir dessa amizade que eu já tinha com Augusto, eu fui convidado para trabalhar para o banco. Naturalmente, quando você realiza um contrato, começa a prestar um serviço, você tem que estar à disposição de qualquer dirigente e qualquer funcionário desse banco, e não apenas dos seus acionistas, mas também de seu corpo interno, como aconteceu. Todos os contatos se deram em caráter profissional, tratando de temas que tinham relação com a minha prestação de serviço”, declarou ACM Neto em entrevista à rádio Baiana FM.

De acordo com o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a Reag é suspeita de envolvimento com o crime organizado.

Relatório de Inteligência Financeira do órgão aponta que o Master pagou R$ 1,8 milhão em doze repasses para a empresa de ACM Neto no período, enquanto a Reag repassou R$ 1,83 milhão em 13 transferências no mesmo intervalo. Os pagamentos foram repassados à A&M Consultoria Ltda., empresa que está no nome do ex-prefeito e de sua mulher, Mariana Almeida Barreto de Magalhães.

Embora não seja investigado no caso, ACM Neto voltou a negar ter cometido irregularidades.

“O que é que me deixa muito tranquilo com o trabalho que eu fiz pra eles. Eu não exercia nenhuma função pública. Eu não tinha nenhum cargo público. Eu estava totalmente desimpedido. Não tratei de nada que tivesse a ver com qualquer irregularidade. Desde o princípio, eu deixei claro: não me perguntem sobre Bahia. Não tratem comigo nada sobre Salvador, Bahia, que eu não trato desse tema, pra exatamente afastar qualquer influência direta sobre um ambiente político em que eu atuo”, disse.

“É preciso deixar claro que o Banco Master, sendo um dos maiores bancos do país à época, como era, nem todos tinham obrigação de saber que por trás dali aconteceria um problema. Era absolutamente natural que houvesse relações institucionais, diálogo e trabalho junto. Agora, o que não dá é pra você misturar.”